A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, anunciou esta sexta-feira uma alteração na política fiscal do país, prometendo romper com o que descreveu como “austeridade fiscal excessiva”. Simultaneamente, garantiu aos mercados que serão estabelecidas regras claras para restaurar as finanças nacionais.
Takaichi afirmou que irá impulsionar investimentos de longo prazo em áreas-chave de crescimento através de uma estrutura orçamentária plurianual. Esta medida representa uma reformulação no processo de elaboração dos orçamentos japoneses, que tradicionalmente são definidos anualmente.
O plano da primeira-ministra enfrenta o desafio de revitalizar a quarta maior economia mundial sem provocar instabilidade nos mercados financeiros. Preocupações anteriores sobre o aumento da dívida pública japonesa já haviam desencadeado vendas de títulos governamentais e da moeda nacional no final do ano passado.
Num discurso parlamentar, Takaichi reiterou o compromisso com uma “política fiscal responsável e proativa”, focada no aumento de investimentos em sectores como inteligência artificial, semicondutores e construção naval. A primeira-ministra declarou que o Japão não deve hesitar em aumentar gastos para apoiar o investimento privado.
Para tornar as iniciativas governamentais mais previsíveis, o executivo planeia reformular o sistema orçamental, introduzindo orçamentos plurianuais e fundos de investimento de longo prazo. Takaichi assegurou que não serão adoptadas “políticas fiscais imprudentes que prejudiquem a confiança do mercado”, prometendo buscar receitas através de cortes em subsídios existentes.
A primeira-ministra comprometeu-se a manter o ritmo de aumento da dívida dentro da taxa de crescimento económico e a reduzir progressivamente a relação dívida/PIB do país. Serão estabelecidos indicadores específicos para medir o progresso nesta área, garantindo a sustentabilidade fiscal a longo prazo.
Takaichi, conhecida por defender políticas fiscais e monetárias flexíveis, liderou o partido governamental a uma vitória expressiva nas eleições gerais de 8 de fevereiro. A sua campanha eleitoral incluiu promessas de aumento de gastos e suspensão temporária do imposto sobre o consumo de alimentos.
Fonte: Valor Econômico



