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Groenlândia: Um Arquivo Geológico Único com Pistas sobre a Origem da Terra

A Groenlândia possui uma história geológica extensa e diversificada, que abrange desde as origens da crosta terrestre até a Era dos Dinossauros, incluindo períodos em que a região apresentava clima tropical. A diversidade de formações rochosas no território já permitiu a descoberta de fósseis significativos e apresenta potencial considerável para atividades mineiras, apesar de desafios logísticos.

Do ponto de vista geológico, as rochas da Groenlândia encontram-se bem expostas devido à escassa vegetação, facilitando o estudo em três dimensões em várias escalas, conforme referido por Per Kalvig, investigador do Serviço Geológico da Dinamarca e da Groenlândia.

Esta riqueza geológica remonta ao Arqueano, período que decorreu entre há 4 mil milhões e 2,5 mil milhões de anos. As investigações sobre estas rochas antigas têm fornecido informações cruciais para a compreensão da formação dos oceanos e da fase inicial do Arqueano.

Na região groenlandesa de Isua, foram identificadas pistas geoquímicas e estruturas conhecidas como estromatólitos, que estão entre as evidências mais antigas de vida no planeta, conforme destacado por Ricardo Ivan Ferreira da Trindade, geólogo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

Em períodos mais recentes, os terrenos da ilha revelaram outros vestígios importantes sobre a evolução da vida. Entre eles, destacam-se os fósseis de Acanthostega e Ichthyostega, animais que viveram no Devoniano tardio, há aproximadamente 360 a 380 milhões de anos. A sua anatomia contribui para documentar o surgimento dos primeiros vertebrados com quatro membros.

No final do período Triássico, há cerca de 210 milhões de anos, a região albergou espécies como o fitossauro Mystriosuchus alleroq e o dinossauro Issi saaneq, um herbívoro com cerca de cinco metros de comprimento. Estas descobertas contaram com a participação do paleontólogo português Octávio Mateus, que realizou quatro campanhas de trabalho de campo na ilha.

As operações de investigação na Groenlândia envolvem logísticas complexas, incluindo deslocações para antigas bases militares americanas e viagens de helicóptero para áreas de prospeção. Os investigadores enfrentam uma janela temporal limitada de aproximadamente um mês durante o verão do hemisfério norte, devido às condições climáticas.

Apesar das dificuldades climáticas e de infraestruturas, a exploração económica de recursos minerais na Groenlândia é considerada viável, com a mineração comercial no Ártico já estabelecida em regiões como a Rússia, o Canadá e o Alasca. Uma das áreas mais promissoras para atividades mineiras na ilha é a província de Gardar, no extremo sul, com rochas formadas há cerca de 1,2 mil milhões de anos.

Fonte: Folha de S.Paulo

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