O grupo Katseye, uma das últimas atrações a subir ao palco no Lollapalooza de São Paulo, que terminou no domingo, 22, apresentou-se com uma energia frenética, mas enfrentou desafios significativos devido ao seu limitado catálogo musical. As cinco integrantes presentes – após a saída de Manon Bannerman por tempo indeterminado – ocuparam o palco Flying Fish, reservado para artistas menos conhecidos, demonstrando uma coreografia intensa com movimentos inspirados em grupos de K-pop como o Blackpink.
Formado nos Estados Unidos através de um reality show de competição, o Katseye reúne membros de diversas nacionalidades: Sophia Laforteza (Filipinas), Lara Raj (EUA, com ascendência indiana), Daniela Avanzini (de família latina), Megan Skiendiel (EUA) e Yoonchae Jeong (Coreia do Sul). Apesar da projeção global alcançada com sucessos no TikTok como “Gnarly” e “Gabriela”, o grupo ainda não lançou álbuns completos, dependendo apenas dos EPs “Beautiful Chaos” (2023) e “Sis” (2024).
Esta escassez de material revelou-se um obstáculo durante a atuação de uma hora. Enquanto as fileiras da frente, compostas por fãs dedicados, respondiam com entusiasmo, as áreas mais recuadas da plateia mostraram-se apáticas durante a execução de faixas menos conhecidas. A inclusão de uma música inspirada nas bonecas Monster High, descrita como banal, destacou a dificuldade em manter o interesse do público mais amplo.
Em contraste com artistas como Lorde, que no mesmo festival privilegiou a música sobre interações verbais, o Katseye interrompeu frequentemente o espetáculo para dialogar com a audiência. Após “Gabriela”, por exemplo, as cantoras dedicaram cerca de quatro minutos a saudações, elogios à energia brasileira e pedidos para fotografias, criando momentos de pausa que alongaram a apresentação sem acrescentar conteúdo musical substancial.
O objetivo declarado do Katseye é reviver a era de ouro dos girl groups e boy bands dos anos 2000, com aspirações a tornar-se um fenómeno à imagem de grupos como os Pussycat Dolls ou o Fifth Harmony. A presença de crianças na plateia sugere um apelo intergeracional, mas a sustentabilidade desta ambição depende criticamente da expansão do seu repertório e da capacidade de equilibrar o carisma performativo com uma oferta musical mais robusta.
Fonte: Folha de S.Paulo



