A produção agrícola angolana atingiu um marco significativo na campanha 2024-2025, com cerca de 30 milhões de toneladas de produtos diversos, representando um crescimento de 8,6% face aos 28,3 milhões de toneladas registados no período anterior (2023-2024). Este aumento progressivo, destacado pelo ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, durante o Conselho Consultivo do Ministério em Luanda, reflete uma tendência positiva nos diferentes segmentos do setor.
Uma análise mais aprofundada revela que mais de 60% desta produção teve origem na agricultura familiar, envolvendo aproximadamente 3,5 milhões de agregados. Destes, cerca de 1,17 milhões beneficiaram de assistência governamental, o que corresponde a 39,1% dos agregados rurais e urbanos agrícolas. Este dado sublinha o papel crucial da agricultura familiar na economia angolana, embora também evidencie desafios na extensão do apoio estatal a uma parcela mais ampla dos produtores.
O ministro Isaac dos Anjos apresentou uma visão estratégica para o futuro, anunciando a introdução de novos procedimentos a partir do ano agrícola 2026-2027, com o objetivo de melhorar os resultados num contexto de recursos financeiros limitados. A abordagem centra-se na colaboração com todos os intervenientes para definir soluções eficazes, visando transformar o próximo ciclo agrícola num marco de produtividade e sustentabilidade.
Um dos pilares desta estratégia é a criação de linhas de crédito adaptadas ao perfil dos produtores nacionais. O ministro defendeu que estas devem ser mais flexíveis, acessíveis e ajustadas à realidade dos pequenos, médios e grandes produtores, com o propósito de financiar parcerias que promovam segurança, inovação e sustentabilidade. A disponibilização de apoio financeiro adequado poderá permitir investimentos em tecnologia, melhor gestão dos recursos hídricos, adoção de práticas sustentáveis e uma produção mais robusta e competitiva.
Para concretizar estes objetivos, o governo apelou a um maior engajamento das empresas fornecedoras de insumos na aquisição e distribuição atempada de produtos essenciais para o setor. Paralelamente, comprometeu-se a dar continuidade aos projetos em curso e a implementar novas iniciativas de reabilitação e construção de perímetros irrigados, garantindo uma gestão eficiente e sustentável das infraestruturas do setor.
As perspetivas para o novo ano agrícola incluem ainda a restauração do serviço de alerta rápido e a operacionalização do Sistema de Informação e Alerta Rápido para a Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN). Outro objetivo destacado é a conclusão e operacionalização do Centro de Bioveterinária e Produção de Vacinas, localizado na província do Huambo, que visa prevenir doenças animais e reforçar a capacidade de resposta às exigências sanitárias do setor.
Estas iniciativas de investimento têm como meta reforçar a produção de cereais, fruteiras, hortícolas e óleo de palma, ampliando a capacidade produtiva nacional e promovendo maior competitividade nos mercados interno e externo. O crescimento de 8,6% na produção agrícola angolana, apesar dos desafios financeiros, sugere um setor em transformação, com potencial para se tornar um motor económico mais significativo, desde que sejam superadas barreiras como o acesso limitado ao crédito e a necessidade de infraestruturas mais robustas.
Fonte: Angola Press



