Nos últimos dois meses, a divulgação de arquivos de investigação relacionados com o caso de Jeffrey Epstein teve repercussões em diversos sectores, incluindo a política, o meio académico e o mundo empresarial em vários países. Embora as ligações do criminoso sexual condenado com figuras influentes já fossem conhecidas, os cerca de três milhões de páginas de documentos fornecem detalhes adicionais sobre essas relações.
Em alguns casos, os arquivos indicam que a relação entre Epstein e políticos de diferentes orientações ideológicas persistiu após a sua condenação. Noutros, as páginas revelam transacções económicas consideradas suspeitas e a partilha de informações confidenciais.
A mera menção nos arquivos não constitui prova de crimes ou envolvimento directo com o financista, que faleceu por suicídio na sua cela em 2019. Os documentos incluem frequentemente depoimentos de testemunhas, informações sobre vítimas e pistas consideradas falsas, sendo que muitas das fotografias divulgadas carecem de contextualização.
Segue-se uma lista de figuras públicas mencionadas nos documentos relacionados com o escândalo envolvendo Jeffrey Epstein.
**Donald Trump**
O antigo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve uma amizade com Epstein durante mais de uma década, tendo rompido relações no final de 2004 devido a uma disputa imobiliária. Trump aparece em várias ocasiões nos documentos, incluindo uma referência a uma alegada acusação de que uma adolescente teria sido forçada a praticar sexo oral com ele há décadas no estado de Nova Jérsia. Não existem informações adicionais sobre o caso, e Trump nega quaisquer irregularidades.
**Bill Clinton**
O antigo presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, surge em imagens divulgadas nos arquivos no final do ano passado. Uma das fotografias mostra Clinton reclinado numa banqueira de hidromassagem com uma pessoa cujo rosto foi ocultado. Em muitas das cenas, Clinton é a única pessoa identificável, com os arquivos a fornecer pouco ou nenhum contexto para as imagens. Clinton nega qualquer conduta ilícita e está previsto depor perante um comité da Câmara dos Representantes a 27 de Fevereiro.
**Ex-Príncipe Andrew**
O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do rei Carlos III, foi detido a 19 de Janeiro sob suspeita de má conduta em cargo público devido às suas ligações com Epstein. Anteriormente, tinha perdido os seus títulos reais e renunciado ao título de Duque de Iorque. Virginia Giuffre, que acusou Epstein de manter uma rede de tráfico de menores para fins sexuais, apresentou uma queixa judicial contra Andrew em 2021, alegando abuso sexual em três ocasiões quando tinha 17 anos. Andrew nega as acusações.
**Bill Gates**
E-mails de uma conta atribuída a Epstein afirmam que o cofundador da Microsoft, Bill Gates, tentou ocultar uma infecção sexualmente transmissível da sua esposa após alegadas relações sexuais com “raparigas russas”. Um porta-voz de Gates descreveu as acusações como “absolutamente absurdas e completamente falsas”, referindo que os documentos reflectem a frustração de Epstein por não manter uma relação contínua com Gates.
**Thorbjørn Jagland**
Thorbjørn Jagland, antigo primeiro-ministro da Noruega, foi acusado de corrupção devido às suas ligações com Epstein. Os e-mails trocados entre os dois mostram comunicação frequente, incluindo um pedido de Jagland para se hospedar no apartamento de Epstein em Paris. As autoridades estão a investigar se presentes, viagens e empréstimos foram recebidos em função do seu cargo. Jagland afirma não ter conhecimento das actividades criminosas de Epstein.
**Larry Summers**
Larry Summers, antigo reitor da Universidade de Harvard e secretário do Tesouro durante a administração Clinton, manteve contacto com Epstein durante anos, mesmo após o bilionário ter sido acusado de tráfico sexual. Summers está afastado da instituição e renunciou a cargos em duas organizações de pesquisa e ao conselho da OpenAI.
**Peter Mandelson**
O antigo embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson, foi forçado a renunciar ao seu cargo na Câmara dos Lordes após e-mails revelarem que o seu marido recebeu 10 mil libras de Epstein. As mensagens indicam também que a amizade com o financista incluía a partilha de informações governamentais confidenciais.
**Morgan McSweeney**
Morgan McSweeney, antigo chefe de gabinete do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou ao cargo no início de Fevereiro após pressão pública, embora não existam ligações conhecidas com Epstein.



