A polícia britânica prosseguiu esta sexta-feira, 20 de janeiro, com buscas na antiga mansão do ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do rei Carlos III. As diligências ocorrem um dia após a detenção do ex-duque de Iorque, que foi libertado sob investigação cerca de 11 horas depois, sem acusações formais até ao momento.
Andrew foi detido na quinta-feira, 19 de janeiro, dia do seu 66.º aniversário, sob suspeita de má conduta em cargo público. As alegações indicam que o ex-príncipe teria enviado documentos confidenciais do governo britânico ao financista Jeffrey Epstein durante o período em que atuou como enviado comercial do Reino Unido.
A detenção ocorreu após seis viaturas policiais descaracterizadas e aproximadamente oito agentes à paisana se deslocarem a Wood Farm, na propriedade de Sandringham em Norfolk, onde Andrew reside atualmente. Simultaneamente, agentes revistaram a mansão na propriedade de Windsor, a oeste de Londres, onde o ex-príncipe residiu anteriormente.
As buscas em Sandringham foram concluídas, enquanto as diligências em Windsor continuam em curso. Uma condenação por má conduta no exercício de cargo público pode resultar em pena máxima de prisão perpétua, com casos a serem julgados numa Crown Court, tribunal de primeira instância para infrações criminais graves.
Documentos divulgados pelo governo dos Estados Unidos indicam que Andrew manteve contacto com Epstein após a condenação do financista em 2008 por aliciamento de menor para prostituição. Os arquivos sugerem que o ex-príncipe teria encaminhado a Epstein relatórios governamentais sobre oportunidades de investimento no Afeganistão e avaliações sobre Vietname, Singapura e outros locais visitados na sua função de Representante Especial para Comércio e Investimento.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou ainda emails que sugerem que Epstein convidou Andrew para jantar com uma mulher russa de 26 anos em agosto de 2010. Fotografias incluídas nos documentos mostram o ex-duque de Iorque ajoelhado sobre uma mulher deitada no chão, com imagens onde parece tocar na sua barriga.
O rei Carlos III, que retirou ao irmão o título de príncipe e o obrigou a deixar a residência em Windsor no ano passado, afirmou ter recebido a notícia da detenção com “profunda preocupação”. Esta representa o primeiro caso de detenção de um membro direto da família real britânica desde o rei Carlos I, executado em 1649 após condenação por traição.
Fonte: Folha de S.Paulo



