Olha só esta novidade do mundo do futebol: o Gianluca Prestianni, o argentino do Benfica, vai mesmo ficar de fora do jogo decisivo contra o Real Madrid na Champions League. A UEFA decidiu suspender o jogador preventivamente, mesmo antes de a investigação sobre o alegado insulto racista a Vinícius Júnior estar concluída.
A coisa aconteceu assim: na primeira mão do play-off, que o Real Madrid ganhou por 1-0, o Vinícius Júnior marcou o golo e depois queixou-se de ter sido insultado racialmente pelo Prestianni. O árbitro até parou o jogo e activou o protocolo antirracismo, o que fez com que a partida só recomeçasse quase 10 minutos depois.
O Prestianni já veio negar tudo, mas a UEFA não quis esperar. Nomearam um inspector para investigar o caso, e entretanto o Comité de Controlo, Ética e Disciplina aplicou esta suspensão de um jogo como medida preventiva. Estão a basear-se no artigo 14 do regulamento disciplinar, que trata precisamente de racismo e comportamentos discriminatórios.
O mais curioso é que a própria UEFA diz que esta decisão é “sem prejuízo” do que possa vir a acontecer depois, quando a investigação estiver mesmo terminada. Ou seja, se no fim se provar que o Prestianni chamou mesmo “mono” (que significa macaco em espanhol) ao Vinícius, o castigo pode ser bem mais pesado – fala-se numa suspensão mínima de 10 jogos!
O Benfica não gostou nada desta decisão e já reagiu. Dizem que vão apelar, embora admitam que para o jogo de quarta-feira já não há nada a fazer. O clube lamenta ficar sem o jogador enquanto o processo ainda está em investigação, mas ao mesmo tempo reafirma o seu compromisso contra o racismo e qualquer forma de discriminação.
Entretanto, as versões continuam contraditórias: o Prestianni nega, o Vinícius e outros jogadores do Real Madrid confirmam a ofensa, e o Benfica fala numa “campanha de difamação” contra o seu jogador. O clube garante que está a colaborar totalmente com a UEFA na investigação.
Resumindo: o Prestianni vai mesmo falhar o jogo importante de quarta-feira, e isto tudo ainda vai dar que falar quando a investigação da UEFA chegar a uma conclusão definitiva.
Fonte: O País