No Camboja, milhares de call centers operam em esquemas de ciberfraude, falsas ofertas de emprego e alegado tráfico humano, movimentando milhares de milhões de euros. Sihanoukville, no sul do país, é identificado como um dos maiores polos mundiais de cibercriminalidade. Uma investigação da SKY News revelou que novos trabalhadores são recrutados em minutos através do Telegram, sendo convidados para entrevistas em edifícios como o do 31.º andar de um prédio em Sihanoukville. Jornalistas infiltrados, equipados com câmaras ocultas, receberam instruções na sala 105 para representar uma empresa legítima dos Estados Unidos, utilizando um guião preparado para enganar vítimas. Responsáveis pelo esquema garantiram aos trabalhadores que não havia motivos para receio de operações policiais, alegando que a polícia os avisaria antes de qualquer rusga.
A empresa K Force, sediada nos Estados Unidos, confirmou não ter qualquer ligação ao call center e condenou o uso fraudulento do seu nome. Muitos trabalhadores nestes centros são recrutados sob falsas promessas de emprego e acabam privados de liberdade, segundo relatos como o de Athena, uma indonésia recentemente resgatada, que descreveu dias marcados por abusos e coerção. As autoridades cambojanas afirmam ter realizado várias operações de resgate e desmantelamento, incluindo no complexo “Brother” em Phnom Penh, agora abandonado após uma das maiores rusgas dos últimos meses. No local, permanecem quadros com instruções sobre manipulação emocional de vítimas e promessas de bónus, ao lado de ameaças de punição. Organizações internacionais e analistas acusam o Estado de lucrar com a presença destes centros e de fechar os olhos a casos de escravatura moderna. O ministro da Informação rejeitou as acusações de cumplicidade, garantindo que as organizações criminosas estão a ser desmanteladas.
No Reino Unido, o número de incidentes envolvendo drones em prisões de Inglaterra e no País de Gales atingiu um novo recorde, com 1.712 casos registados entre abril de 2024 e março de 2025, representando uma subida de 1.140% em cinco anos. O Centro Prisional de Manchester, uma prisão de segurança máxima, viu a sua segurança posta em causa pelo uso de tecnologia sofisticada. Rob Knight, responsável pela prisão, referiu casos de presos apanhados com facas ao estilo Rambo e uma catana, tudo entregue por via aérea através de drones. Imagens obtidas pela Sky News mostram um drone a tentar entregar um pacote diretamente na janela de uma cela, demonstrando a precisão alcançada por redes criminosas.
A Polícia da Grande Manchester confirmou a facilidade com que estas operações são executadas, descrevendo-as como rápidas e quase impossíveis de detetar. Jenny George, responsável pela entidade que regula as prisões no Reino Unido, afirmou que muitas prisões, especialmente as mais antigas, não estão preparadas para ameaças aéreas, necessitando de melhorias na segurança das janelas e outras infraestruturas básicas. Críticas ao sistema prisional apontam para lentidão na implementação de medidas essenciais e subutilização de fundos públicos destinados à segurança. Um relatório da NAO revelou que a gestão prisional não utilizou 30 milhões de libras (quase 35 milhões de euros) de financiamento ao combate à droga e 25 milhões de libras (28,5 milhões de euros) destinados à segurança, devido a atrasos prolongados em aprovações ministeriais. Rob Knight admitiu frustração com atrasos no processo de aquisição, referindo que a introdução de janelas à prova de drones exige testes e licenças. A crise dos drones tem impacto direto na segurança e no ambiente prisional, expondo graves fragilidades no sistema e na resposta governamental.
Fonte: Sicnoticias Pt
