A província do Huambo, outrora conhecida como “Nova Lisboa”, prepara-se para reviver o seu passado glorioso no desporto com a inauguração do Estádio Daniel Cassoma Lutucuta, uma infraestrutura de 40 milhões de dólares que substitui o mítico Mambroa, demolido em 2011 após anos de abandono. Este projeto, anunciado pelo Presidente João Lourenço em 2022, simboliza não apenas um investimento em infraestruturas, mas uma estratégia de revitalização social e económica para uma região que aspira a consolidar-se como polo desportivo de referência em Angola.
A construção do estádio, iniciada em abril de 2023 após a colocação da primeira pedra em julho de 2022, responde a uma necessidade premente: devolver à cidade do Huambo um espaço de emoção e tradição desportiva, após mais de uma década sem um recinto adequado. O antigo Mambroa, fundado em 1931, era um ícone local, com capacidade para quatro mil espectadores e uma pista de atletismo em terra batida, onde brilharam figuras como Lutucuta (que dá nome ao novo estádio) e recebeu eventos históricos, incluindo jogos internacionais nos anos 80 e 90.
Analisando as especificações técnicas, o Estádio Lutucuta destaca-se pelos seus padrões internacionais: com capacidade para 10 mil espectadores, inclui um campo relvado de categoria IV (conforme as recomendações da UEFA), uma pista de atletismo em tartan de alto rendimento, quatro torres de iluminações e áreas técnicas avançadas. Esta infraestrutura está preparada para receber competições de alto nível, com classificações previstas da CAF, FIFA e IAAF, permitindo partidas profissionais e eventos de atletismo em múltiplas modalidades.
O impacto deste projeto vai além do desporto. Segundo José Albano Manuel, diretor do gabinete da Juventude e Desportos do Huambo, o estádio representa um marco histórico que contribuirá para a recuperação de disciplinas negligenciadas há mais de 50 anos, oferecendo oportunidades únicas para crianças e jovens praticarem desporto regularmente. Esta abordagem reflete uma visão integrada de desenvolvimento, onde o investimento em infraestruturas desportivas serve como catalisador para valores como disciplina, ética e espírito de equipa.
Contextualizando, a inauguração, marcada para quinta-feira com um jogo entre o Recreativo da Caála e o Ferrovia do Huambo, não é apenas um evento desportivo, mas um símbolo de resiliência e renascimento. O Huambo, que atualmente não tem representantes na Liga Unitel-Girabola, passa a contar com três estádios, reforçando o seu potencial como hub desportivo. Este projeto insere-se num esforço mais amplo de revitalização de infraestruturas em Angola, demonstrando como o desporto pode ser uma ferramenta de coesão social e desenvolvimento regional.
Fonte: Angola Press
