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Investigação portuguesa revela ‘interruptor’ genético crucial na regulação do cancro

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Investigação portuguesa revela 'interruptor' genético crucial na regulação do cancro

Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) realizou uma descoberta significativa no campo da genética molecular, identificando uma sequência reguladora no ADN que atua como um verdadeiro ‘botão de volume’ para a expressão genética. Esta descoberta, publicada na prestigiada revista Nucleic Acids Research, liderada por Alexandra Moreira e José Bessa, não apenas avança o conhecimento fundamental sobre a regulação genética, mas também oferece novas perspetivas sobre os mecanismos subjacentes ao desenvolvimento do cancro.

A investigação centrou-se na identificação do DplUSE, uma pequena sequência localizada na região 3’UTR do RNA mensageiro, que não codifica proteínas, mas sim controla a quantidade de proteína produzida por determinados genes. Este mecanismo funciona através de interações com proteínas ligadoras de RNA, atuando como um regulador molecular que, quando presente, aumenta a atividade genética, e quando ausente, reduz esse efeito. A relevância evolutiva deste ‘interruptor’ é destacada pela sua presença conservada em várias espécies de vertebrados, incluindo zebrafish, ratos e humanos, indicando que se trata de um mecanismo ancestral e biologicamente importante.

O aspeto mais promissor desta descoberta reside na sua ligação direta à oncologia. A equipa demonstrou que uma alteração genética mínima, envolvendo apenas uma única ‘letra’ do ADN, pode criar um novo DplUSE num gene específico associado ao cancro do cólon. Esta mudança microscópica tem o potencial de desregular a expressão genética, levando a uma atividade excessiva do gene que, em contexto oncológico, pode contribuir para a progressão da doença. Este achado reforça a ideia central na biomedicina contemporânea de que a desregulação genética, e não apenas mutações genéticas, desempenha um papel crítico no desenvolvimento de patologias como o cancro.

A investigação sublinha a importância de compreender os mecanismos finos de controlo genético, que vão além da simples presença ou ausência de genes. Muitas doenças, incluindo o cancro, podem resultar de genes que funcionam em excesso devido a falhas nos seus reguladores, em vez de estarem ‘estragados’. Ao elucidar como sequências como o DplUSE influenciam a expressão de genes ligados a doenças, este trabalho abre caminho para futuras terapias mais precisas, capazes de atuar não apenas nos genes, mas nos seus ‘interruptores’ moleculares.

No contexto nacional, esta descoberta ganha particular relevância devido ao impacto do cancro do cólon em Portugal, que continua a ser uma das doenças oncológicas mais frequentes. De acordo com o Registo Oncológico Nacional, em 2022 foram diagnosticados 5590 novos casos, destacando a urgência de avanços na compreensão e tratamento desta patologia. Embora se trate ainda de investigação fundamental, o potencial translacional é considerável, oferecendo esperança para o desenvolvimento de abordagens terapêuticas inovadoras no futuro.

Fonte: Sicnoticias Pt

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