Home Internacional Moçambique em Alerta Máximo: Barragens do Norte Transbordam com Chuvas Extremas que...

Moçambique em Alerta Máximo: Barragens do Norte Transbordam com Chuvas Extremas que Já Afetaram 856 Mil Pessoas

0

As intensas precipitações que assolam Moçambique desde outubro levaram as barragens da Região Norte à sua capacidade máxima de enchimento, com várias estruturas já a transbordar e rios a ultrapassar níveis críticos. A Administração Regional de Águas do Norte (ARA-Norte) confirmou que a albufeira da barragem de Locumue, em Lichinga, província do Niassa, está completamente cheia, enquanto as barragens de Nampula, Nacala, Mugica, Mitucue, Locmoue, Chipembe e Montepuez enfrentam situações semelhantes.

Esta situação crítica ocorre num contexto mais amplo de emergência nacional, onde dados atualizados do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) revelam que 856 mil pessoas já foram afetadas em todo o país desde o início da época chuvosa. O balanço humano é particularmente grave: 215 mortos, 314 feridos e mais de 41 mil pessoas ainda alojadas em 51 centros de acomodação ativos.

As autoridades moçambicanas emitiram alertas vermelhos e apelaram às comunidades para adotarem medidas de precaução urgentes, incluindo evitar a travessia de cursos de água e circulação em áreas de risco de cheias e erosão. A infraestrutura nacional sofreu danos significativos, com 246 unidades sanitárias, 635 escolas e cinco pontes afetadas desde 7 de janeiro.

No sector agrícola, o impacto é devastador: 554.603 hectares de cultivo foram afetados, dos quais 287.810 foram dados como perdidos, atingindo diretamente 365.137 agricultores. A pecuária também registou perdas catastróficas, com estimativas de 530.998 cabeças de gado mortas, incluindo bovinos, caprinos e aves.

A comunidade internacional mobilizou-se em resposta à crise, com a União Europeia, Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Alemanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão, China e países vizinhos a enviarem ajuda humanitária de emergência.

Esta situação insere-se num padrão preocupante de eventos climáticos extremos em Moçambique, considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas. Entre 2019 e 2023, eventos extremos causaram 1.016 mortos e afetaram aproximadamente 4,9 milhões de pessoas em todo o território nacional. A atual época chuvosa segue-se a uma temporada 2024-25 particularmente destrutiva, marcada pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude, que causaram pelo menos 313 mortos, 1.255 feridos e afetaram mais de 1,8 milhões de pessoas.

As autoridades moçambicanas mantêm ações de antecipação às cheias e inundações, especialmente nas zonas Centro e Sul do país, onde se concentram os alertas de chuvas e ventos fortes. Esta resposta procura mitigar os efeitos de um fenómeno que se tornou cíclico no país, enfrentando regularmente cheias e ciclones tropicais de intensidade crescente.

Fonte: Diarioeconomico Co Mz

NO COMMENTS

Deixe um comentárioCancel reply

Exit mobile version