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Mozal em Risco: Encerramento da Fundição de Alumínio Ameaça Milhares de Empregos e Expõe Fragilidades da Economia Moçambicana

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Mozal em Risco: Encerramento da Fundição de Alumínio Ameaça Milhares de Empregos e Expõe Fragilidades da Economia Moçambicana

A decisão da empresa australiana South32 de suspender as operações da fundição de alumínio Mozal, localizada na província de Maputo, a partir de 15 de março de 2026, representa um ponto de viragem crítico para a economia moçambicana. Este encerramento, motivado pela incapacidade de garantir um acordo de fornecimento elétrico a preços competitivos, não é apenas um revés industrial, mas um sinal alarmante das vulnerabilidades estruturais do modelo económico do país.

A Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS) caracterizou a situação como um “terramoto nacional”, uma metáfora que capta a magnitude do impacto. A Mozal contribui com aproximadamente 4% para o Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique, sendo uma das maiores indústrias do país e um motor crucial para as exportações. O secretário-geral da OTM-CS, Damião Simango, alertou que a concretização deste encerramento exporá a fragilidade de uma economia excessivamente dependente de megaprojetos com escassa integração nacional, ausência de cadeias de valor domésticas e políticas industriais que confundem incentivos fiscais com desenvolvimento sustentável.

Os números são elucidativos: a Mozal emprega diretamente mais de duas mil pessoas, com outras duas mil em posições terceirizadas, representando um terço dos empregos no sector manufactureiro do país. A empresa compra quase metade da energia produzida em Moçambique, essencialmente da Hidroeléctrica de Cahora Bassa. A suspensão das actividades resultará em despedimentos colectivos, com a empresa a propor indemnizações diferenciadas: 6% do salário anual por cada ano de serviço para quem ganha acima de sete salários mínimos do sector, e 40 dias de salário por cada ano de serviço para os restantes.

O conflito subjacente centra-se no fornecimento de energia. A South32, principal accionista da Mozal, registou uma baixa de 372 milhões de dólares no ano passado devido à incapacidade de garantir energia a preços acessíveis, agravada pelo impacto da seca na produção hidroeléctrica moçambicana. As negociações com a fornecedora de energia de reserva, a sul-africana Eskom, também não resultaram num acordo com preços razoáveis. O director-executivo da South32, Graham Kerr, afirmou que o custo de manutenção durante a suspensão, incluindo a rescisão de contratos, rondará os 60 milhões de dólares, com custos anuais contínuos de cerca de 5 milhões de dólares.

O Governo moçambicano, através do ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, garantiu estar a desenvolver “todos os esforços necessários” para evitar o encerramento, mas sem detalhar o estado das negociações com a empresa ou os fornecedores de energia. Esta posição contrasta com o apelo da OTM-CS para que o Governo não seja um “mero espectador” nos pleitos negociais, mas assuma a sua responsabilidade constitucional para aliviar o custo de vida dos moçambicanos.

Analiticamente, este caso revela três dimensões críticas: primeiro, a dependência de Moçambique de investimentos estrangeiros em sectores extractivos que são vulneráveis a flutuações globais e condições locais; segundo, as deficiências na política energética nacional, que não consegue garantir preços competitivos para indústrias estratégicas; terceiro, o risco de os trabalhadores se tornarem “variável de ajustamento” em disputas económicas, com impactos profundos no rendimento familiar e na estabilidade social.

O encerramento da Mozal, se concretizado, não será apenas uma perda imediata de empregos e receitas, mas um teste à resiliência económica de Moçambique e à capacidade do Governo para gerir crises estruturais. A situação exige uma reflexão profunda sobre a diversificação económica, a integração industrial e a sustentabilidade do modelo de desenvolvimento baseado em megaprojectos.

Fonte: Diarioeconomico Co Mz

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