O Reino Unido está a impedir o uso de duas bases aéreas estratégicas para um eventual ataque militar dos Estados Unidos ao Irão, uma decisão que gerou críticas públicas do ex-presidente norte-americano Donald Trump ao primeiro-ministro britânico Keir Starmer.
Segundo informações publicadas pelo jornal britânico Times, a posição de Londres decorre de preocupações sobre a legalidade internacional de um conflito sem o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, do qual ambos os países são membros permanentes.
As bases em questão são Diego Garcia, no Oceano Índico, e Fairford, em Gloucestershire, Inglaterra. Normalmente, estas instalações são utilizadas para operações de bombardeiros estratégicos norte-americanos, incluindo modelos B-2, B-52 e B-1B.
Donald Trump manifestou-se sobre o assunto na sua rede social Truth Social, referindo que se o Irão não aceitar um acordo sobre o seu programa nuclear, “pode precisar de Diego Garcia”. Esta posição surge no contexto de discussões sobre a devolução do arquipélago de Chagos, onde se localiza a base de Diego Garcia, às Ilhas Maurícias, embora os direitos de operação militar permaneçam sob controlo britânico.
Apesar desta restrição, outras bases britânicas, como Lakenheath e Mildenhall, continuam a ser utilizadas como pontos de trânsito para aeronaves norte-americanas com destino ao Médio Oriente. Esta utilização reforça a atenção sobre a posição específica em relação a Diego Garcia e Fairford.
No ano passado, Diego Garcia desempenhou um papel central nas operações de pressão sobre o Irão, incluindo no ataque norte-americano a instalações nucleares iranianas em junho. Nessa operação, pelo menos seis bombardeiros B-2 foram posicionados na base.
Analistas militares referem que a decisão britânica não tem impacto decisivo nas capacidades operacionais dos Estados Unidos. Recentemente, os EUA enviaram mais de 120 aviões de combate e apoio para a região do Médio Oriente, duplicando a sua frota específica para operações na área.
Na operação de junho contra o Irão, os bombardeiros B-2 voaram diretamente das suas bases nos Estados Unidos, sendo reabastecidos em voo e acompanhados por caças de quinta geração F-22 e F-35.
O contexto mais amplo inclui tensões contínuas sobre o programa nuclear iraniano e as relações entre os Estados Unidos e o regime islâmico do Irão, no poder desde 1979. Estas tensões envolvem também considerações sobre a estabilidade regional e as relações com aliados como Israel.
Especialistas em defesa referem que operações aéreas em grande escala poderiam visar a liderança iraniana e as capacidades da Guarda Revolucionária, a principal força militar do país. Contudo, permanecem questões sobre potenciais consequências, incluindo retaliações e impactos na estabilidade interna do Irão.
Em 2025, durante confrontos anteriores, Israel demonstrou capacidade para interceptar a maioria dos mísseis balísticos lançados contra o seu território, embora alguns tenham causado danos significativos. Analistas antecipam que Israel estaria envolvido em qualquer conflito alargado na região.
As implicações para o mercado petrolífero global constituem outra dimensão relevante deste contexto geopolítico.
Fonte: Folha de S.Paulo
