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Zimbabué acumula dívida de 100 milhões de dólares à Valterra Platinum em receitas de exportação retidas

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A empresa mineira sul-africana Valterra Platinum revelou esta quarta-feira, 25 de Fevereiro, que o Governo do Zimbabué acumula uma dívida de 100 milhões de dólares relativamente a receitas de exportação do ano de 2025. Segundo a directora financeira da mineradora, Sayurie Naidoo, durante uma apresentação de resultados a analistas, “trata-se de cerca de 100 milhões de dólares a que não tivemos acesso”. A empresa já iniciou alguns pagamentos em 2026, esperando recuperar o valor total ao longo dos próximos meses, após contactos com o Banco de Reserva do Zimbabué e o Ministério das Finanças.

Esta situação insere-se no contexto da política cambial do Zimbabué, que exige que todos os exportadores retenham apenas 70% das suas receitas em moeda estrangeira, sendo o remanescente convertido em moeda local. A Valterra e outras empresas do sector do platina têm enfrentado atrasos nos pagamentos por parte do Governo ao abrigo desta regra de retenção, segundo a Câmara de Minas zimbabueana. O Executivo tem apontado constrangimentos de tesouraria como justificação para os atrasos, reflectindo desafios estruturais na economia do país.

A mina Unki da Valterra no Zimbabué produziu 219.700 onças de concentrados de metais do grupo da platina (PGM) em 2025, o equivalente a cerca de 7% da produção total de concentrado do grupo no ano passado. Este desempenho contribuiu para os resultados financeiros da empresa, que anunciou lucros anuais ajustados duplicados para mais de mil milhões de dólares em 2025. Este crescimento foi impulsionado pela subida dos preços da platina e pela redução de custos operacionais, levando as suas acções a subir mais de 10%.

Os resultados foram reforçados por um aumento de 26% no preço do cabaz de metais do grupo da platina, bem como por poupanças operacionais no valor de 312,5 milhões de dólares. A empresa, que foi separada do grupo Anglo American no ano passado, declarou um dividendo final de 2,68 dólares por acção, elevando a distribuição total de 2025 para 750 milhões de dólares.

Os preços à vista da platina mais do que duplicaram em 2025, atingindo um máximo histórico de 2.757,69 dólares por onça a 26 de Janeiro. Este aumento foi impulsionado pela oferta limitada e pelo aumento da procura de investimento em metais preciosos. O preço do metal, utilizado na produção de catalisadores que reduzem as emissões dos veículos, tem também sido sustentado pela reversão da União Europeia quanto à proibição de motores de combustão prevista para 2035, indicando tendências positivas para o sector a médio prazo.

A dívida do Zimbabué à Valterra ilustra os desafios enfrentados por empresas estrangeiras que operam em economias com políticas cambiais restritivas, destacando a importância da estabilidade financeira e do cumprimento de compromissos para atrair e reter investimento internacional.

Fonte: Diarioeconomico Co Mz

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