O mundo da arte contemporânea perdeu uma das suas figuras mais distintivas com o falecimento do pintor suíço Peter Stämpfli, ocorrido na sexta-feira, 20 de outubro, aos 88 anos. A notícia foi confirmada pela Galeria Georges-Philippe e Nathalie Vallois, que representava o artista, num comunicado que o descrevia como “um dos artistas mais singulares da segunda metade do século 20”.
Nascido em 1937 em Deisswil, na Suíça, e formado pela Escola de Belas Artes de Biel, Stämpfli emergiu na cena artística europeia durante a década de 1960, período crucial para a consolidação da pop art como movimento transatlântico. Enquanto figuras como Andy Warhol e Roy Lichtenstein dominavam o cenário norte-americano, Stämpfli desenvolveu uma abordagem única que isolava objetos do quotidiano – particularmente pneus de automóveis – contra fundos brancos, descontextualizando-os e elevando-os a ícones visuais.
A sua técnica distintiva, que ele próprio explicou numa entrevista à AFP em 2018 como “o desejo de isolar o objeto contra um fundo branco. De remover o objeto da sua história, do seu contexto”, representou uma contribuição fundamental para a pop art europeia. Esta metodologia não apenas desafiava as convenções da representação artística, mas também antecipava questões sobre consumo, industrialização e a estetização do banal que continuam relevantes na arte contemporânea.
A consagração internacional chegou quando as suas obras foram incorporadas nas coleções de instituições de prestígio como o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) e o Centro Pompidou de Paris, testemunhando o reconhecimento transatlântico do seu trabalho. A sua estadia em Paris durante vários períodos da carreira facilitou esta ponte entre as tradições artísticas europeias e as correntes emergentes norte-americanas.
Para além da pintura, Stämpfli diversificou a sua prática artística através do cinema – realizando tanto longas como curtas-metragens – e da escultura, demonstrando uma versatilidade criativa que transcendeu os limites disciplinares. Esta multidimensionalidade artística reforça o seu estatuto como figura polifacetada cuja influência se estendeu para além dos círculos da pop art.
O legado de Stämpfli permanece particularmente visível na forma como transformou elementos prosaicos da cultura automóvel – os sulcos dos pneus – em complexos padrões geométricos que desafiam a perceção do espectador. Esta transformação do funcional em estético constitui uma das suas contribuições mais duradouras para a história da arte do século XX.
Fonte: Folha de S.Paulo
