O ator Eric Dane faleceu na quinta-feira aos 53 anos, após diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA) há menos de um ano. A doença neurológica degenerativa e irreversível evolui rapidamente, com sobrevida média entre três a cinco anos após o início dos sintomas.
Entre as figuras públicas diagnosticadas com ELA incluem-se o músico português Zeca Afonso, que faleceu aos 57 anos, e o físico Stephen Hawking, que viveu com a doença durante 55 anos até ao seu falecimento aos 76 anos. Hawking constitui um caso excecional, dado que a maioria dos doentes tem uma esperança de vida significativamente menor.
A esclerose lateral amiotrófica caracteriza-se pela degeneração progressiva dos neurónios motores no cérebro e na medula espinal. Estas células são responsáveis pelo controlo muscular necessário para funções como mobilidade, fala, mastigação e deglutição.
Os primeiros sintomas manifestam-se de diversas formas, sendo a mais frequente a envolvência dos músculos dos braços e pernas. Os doentes relatam dificuldades na marcha e na execução de tarefas motoras finas, perda progressiva de força muscular, rigidez, atrofia, contrações musculares involuntárias, fadiga e cãibras. São comuns quedas inexplicáveis, tremores nas extremidades, voz arrastada e rouquidão.
Com a progressão da doença, surgem dificuldades na articulação das palavras, alterações na mastigação e deglutição, engasgamento frequente e perda de coordenação muscular. Os doentes tornam-se progressivamente dependentes de cuidadores, embora dispositivos e tecnologias atuais possam proporcionar autonomia. O envolvimento respiratório é inevitável, manifestando-se através de falta de ar, tosse ou dificuldade em permanecer deitado.
O diagnóstico da ELA é frequentemente complicado pela inespecificidade e evolução insidiosa dos sintomas, com o período entre o início das queixas e a confirmação do diagnóstico a ultrapassar frequentemente um ano. Após o diagnóstico, o encaminhamento para um centro especializado deve ser imediato.
O cuidado multidisciplinar é fundamental, incluindo avaliação nutricional, avaliação da atividade física e muscular, apoio nas atividades de vida diária, e avaliação da função pulmonar e dos músculos respiratórios. Esta abordagem permite determinar o momento adequado para iniciar suporte ventilatório, o que pode prolongar a sobrevida.
A causa da ELA permanece desconhecida, embora aproximadamente 10% dos casos possam ter origem genética. A doença é mais prevalente no sexo masculino e em indivíduos de raça caucasiana, podendo surgir em qualquer idade mas ocorrendo com maior frequência após os 40 anos.
Não existe cura para a esclerose lateral amiotrófica, sendo a doença irreversível. No entanto, tratamentos disponíveis podem diminuir a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos doentes. Cerca de 10 a 20% dos doentes mais jovens apresentam sobrevidas superiores a dez anos.
As terapêuticas atuais visam modificar o curso da doença, reduzir infeções e prolongar o tempo de vida. A inclusão dos doentes em programas de reabilitação respiratória é considerada fundamental para melhorar a qualidade de vida geral.
Fonte: Sicnoticias Pt



