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Bebidas Energéticas e Função Cerebral: Mitos e Riscos Revelados por Especialistas

Nas redes sociais, especialmente em períodos de exames, circula frequentemente a alegação de que as bebidas energéticas podem melhorar a memória, a aprendizagem e o desempenho académico. Contudo, uma análise aprofundada dos dados científicos e dos alertas de especialistas em saúde revela uma realidade mais complexa e preocupante.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) identifica que estas bebidas contêm níveis elevados de cafeína, taurina e glucuronolactona, além de hidratos de carbono, vitaminas e minerais. Recentemente, surgiram os ‘energy shot drinks’, com maior concentração de cafeína e taurina, rotulados como suplementos alimentares ou para atletas, o que amplia a polémica em torno destes produtos, conforme referido pela entidade fiscalizadora.

A nível europeu, a avaliação da cafeína presente nestas bebidas não é considerada preocupante para adultos não gestantes, mas sim para crianças que geralmente não consomem chá ou café. Nestes casos, o consumo pode representar um aumento significativo da exposição à cafeína, levando a alterações temporárias de comportamento, como irritabilidade, nervosismo e ansiedade.

A literatura científica indica que os riscos associados às bebidas energéticas estão principalmente relacionados com o seu teor de cafeína. Uma overdose de cafeína pode causar palpitações, hipertensão, diarreia, estimulação do sistema nervoso central, náuseas, vómitos, hipocalcemia acentuada, acidose metabólica, convulsões e, em casos raros, até mesmo morte.

Pedro Gonçalves, especialista em Medicina Geral e Familiar e em Medicina Desportiva na Unidade de Medicina Desportiva e Performance do Instituto CUF Porto, explica que o efeito principal destas bebidas é adquirido através da cafeína. No entanto, o consumo de cafeína tem um limite diário: 400 miligramas para adultos e 100 miligramas para adolescentes. Um consumo excessivo num adulto equivaleria a três a quatro latas diárias, e num adolescente, a uma lata.

Quanto à função cerebral, Gonçalves rejeita que uma bebida energética possa ajudar, sublinhando que uma alimentação correta é mais benéfica e sem os efeitos colaterais associados a estas bebidas. Mesmo na prática desportiva, o especialista é claro: apenas em contextos de competição, desde que a bebida não contenha substâncias proibidas pela autoridade de antidopagem, e que possa potenciar o desempenho através do efeito da cafeína, poderá fazer sentido. Consumir duas, três ou quatro latas não tem qualquer utilidade, quer para potenciar o desempenho desportivo, quer para pessoas com atividade física regular.

José Miguel Viegas, cardiologista no Hospital CUF Tejo, alerta para os efeitos cardiovasculares das bebidas energéticas, que causam um risco aumentado de arritmias, sobretudo em populações de risco, como pessoas com cardiopatias conhecidas ou arritmias prévias. Estas bebidas podem exacerbar ou mesmo induzir arritmias graves. Além disso, estão associadas a picos glicémicos e de tensão arterial, o que pode causar complicações cardiovasculares agudas e crónicas, incluindo em pessoas jovens.

No que diz respeito aos possíveis benefícios para estudantes, Viegas sublinha que algumas pessoas usam estas bebidas pela perceção de redução da fadiga, mas isso acaba por ter impactos negativos na qualidade do sono e na capacidade de concentração. O cardiologista conclui que, se houver dúvidas sobre a quantidade a consumir, o melhor é mesmo zero.

Em suma, as bebidas energéticas não ajudam a memorizar melhor, a aprender melhor ou a melhorar a função cerebral. Embora possam ter um efeito despertador devido à cafeína, não oferecem benefícios significativos que uma alimentação equilibrada já não proporcione, e trazem consigo uma série de riscos para a saúde. O consumo excessivo pode desencadear problemas como ansiedade, arritmias, ataques de pânico e outras complicações, tornando-se uma escolha perigosa, especialmente para estudantes e atletas.

Fonte: Sicnoticias Pt

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