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Decisão da Suprema Corte dos EUA deixa empresas globais em águas turvas sobre tarifas de Trump

Então, imagina isto: a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu na sexta-feira passada derrubar o método preferido do Trump para impor tarifas. Foi uma decisão histórica que abalou um dos pilares da política comercial dele, deixando ainda mais incerteza no ar para empresas e parceiros comerciais em todo o mundo.

A grande questão agora é como é que isto vai afetar o comércio internacional, os preços, os empregos e o crescimento económico global. Até agora, a economia mundial tem aguentado bem a turbulência das medidas imprevisíveis do Trump desde que ele assumiu o cargo, mas isto adiciona mais uma camada de dúvida.

A maioria dos economistas acha que, independentemente das consequências legais, a política económica dos EUA não vai mudar muito. Líderes estrangeiros e executivos de empresas estão basicamente a assumir que, enquanto o Trump estiver no poder, as tarifas vão continuar de uma forma ou de outra.

Logo após a decisão, o Trump disse numa conferência de imprensa que vai usar uma parte da lei chamada Secção 122 – que nunca foi usada por nenhum presidente antes – para impor uma tarifa geral de 10% dentro de poucos dias.

Como disse Carsten Brzeski, da ING Research, “a Suprema Corte decidiu sobre limites constitucionais, não sobre política comercial. A agenda tarifária do Trump sobrevive com novas bases legais e um período de transição confuso.”

Brzeski e outros analistas não esperam mudar imediatamente as suas previsões para o crescimento global e comércio por causa desta decisão. Os governos estrangeiros têm sido cautelosos nos comentários, dizendo que estão a analisar o impacto.

E falando em imprevisibilidade, o Trump admitiu que aumentou as tarifas sobre a Suíça para 39% (era 31%) porque a presidente suíça “o irritou”. Isto diz muito sobre como ele opera.

Curiosamente, por mais problemáticas que as tarifas americanas tenham sido, as taxas atuais pelo menos reduziram parte da incerteza que as empresas e governos enfrentaram no ano passado, quando as políticas do Trump mudavam constantemente.

Mas a incerteza provavelmente vai continuar. Como disse William Bain, das Câmaras de Comércio Britânicas, a decisão “pouco faz para clarear as águas turvas para os negócios”.

E há outras preocupações geopolíticas que por vezes ofuscam as tarifas. Na Europa, a segurança nacional e a cooperação em defesa são prioridades urgentes com a guerra na Ucrânia e a postura agressiva da Rússia. O Japão e a Coreia do Sul, que dependem das garantias de segurança dos EUA, querem preservar a relação com Washington enquanto as tensões com a China aumentam.

Com muitos acordos comerciais agora em suspenso, esta decisão também vai influenciar as próximas negociações. O acordo Estados Unidos-México-Canadá, que o Trump sancionou no primeiro mandato, vai ser revisto este verão.

Os analistas também estão a pensar no impacto sobre a dívida dos EUA. As tarifas geraram mais de 200 mil milhões de dólares em receita desde abril.

Raphael Bostic, do Federal Reserve Bank de Atlanta, disse que o impacto económico depende de as empresas receberem ou não reembolsos das tarifas, e de como ajustam as suas operações. “Se tiverem de devolver o dinheiro às empresas que pagaram as tarifas, isso é muita perturbação”, disse ele.

Muitas empresas nos EUA e noutros lugares já pediram reembolsos. A Capital Economics estima que, se o Tesouro dos EUA for forçado a pagar, o custo pode chegar a 120 mil milhões de dólares, ou 0,5% do PIB americano.

Mas Juan Pellerano-Rendón, especialista em logística, avisa que as empresas não devem contar com isso. Os reembolsos, se acontecerem, podem levar meses ou anos. “Nenhum operador sério está a planear o seu ano à volta de um potencial reembolso de tarifas”, disse ele. A maioria já incorporou os custos mais altos no seu planeamento.

Fonte: Folha de S.Paulo

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