Segundo o escritor americano Thomas Sowell, os pensadores dividem-se em dois tipos fundamentais. Existem aqueles que possuem uma antropologia filosófica que considera o ser humano como um ente sem limites nos seus recursos cognitivos, morais e políticos – visão irrestrita – e outros que o veem como um ente com recursos limitados – visão restrita.
Entre os defensores da visão irrestrita incluem-se os iluministas franceses em geral, Rousseau, utilitaristas, Marx e liberais. A visão restrita é associada a Agostinho, Pascal, Edmund Burke e Freud.
Os proponentes da visão irrestrita entendem que a natureza humana é capaz de se autorreformar através da vontade livre e do uso da razão, considerando que ajustes políticos e cognitivos são suficientes. Em contrapartida, os defensores da visão restrita argumentam que a natureza humana não possui recursos suficientes para tal autorreforma, relacionando esta posição com a afirmação da insuficiência estrutural do ser humano.
Este conflito de perspetivas pode também ser compreendido como um debate entre uma visão da natureza humana passível de perfectibilidade incremental e uma outra que a considera estruturalmente imperfeita, suscetível apenas a correções de percurso precárias, incertas e improváveis.
A história parece corroborar a tese de que a natureza humana se repete ao longo do tempo. Dadas certas condições concretas na vida, os comportamentos humanos tendem a repetir-se em padrões reconhecíveis.
O conceito de natureza humana parece fazer parte da capacidade humana de compreender e interpretar a própria história. Séculos de experiência histórica têm sido frequentemente citados como evidência contra a hipótese de que mudanças nas condições políticas e sociais possam restaurar uma suposta bondade essencial da natureza humana.
A posição agostiniana, que enfatiza as limitações humanas, contrasta com visões mais otimistas. Para Agostinho, a natureza humana está submetida a um orgulho desmedido que a leva a mentir e a buscar poder, dominada por cobiça, medo da morte e inveja, com uma racionalidade frágil que luta contra paixões negativas.
A discussão sobre estas visões opostas continua a ser relevante no pensamento contemporâneo, com implicações para a compreensão da condição humana e das possibilidades de transformação social.
Fonte: Folha de S.Paulo



