A emergência das ferramentas de inteligência artificial generativa tem transformado radicalmente o panorama musical digital, criando novos desafios para as plataformas de streaming e para os artistas. A Deezer, por exemplo, adoptou uma política de não remuneração dos autores quando detecta fraude de streams, uma medida que visa proteger os direitos dos criadores legítimos. Contudo, esta abordagem levanta questões sobre a eficácia dos sistemas de detecção e a transparência no processo.
O Spotify, por sua vez, mantém uma postura mais reservada, não divulgando dados específicos sobre o volume diário de músicas geradas por IA nem sobre a proporção de streams fraudulentos. Apesar disso, a plataforma revelou ter removido mais de 75 milhões de faixas consideradas spam entre setembro de 2024 e setembro de 2025, período que coincidiu com o que a empresa descreve como uma “explosão das ferramentas de IA generativa”.
Esta situação reflecte um dilema mais amplo na indústria musical: enquanto a IA democratiza a criação musical, também facilita esquemas de fraude que desviam receitas dos artistas reais. As plataformas enfrentam o desafio de equilibrar a inovação tecnológica com a protecção dos direitos de autor, num contexto onde as fronteiras entre criação humana e artificial se tornam cada vez mais difusas.
Fonte: G1



