A África do Sul anunciou esta segunda-feira que aceitou Brent Bozell como novo embaixador dos Estados Unidos no país, após a nomeação ter sido feita pelo presidente norte-americano Donald Trump em março do ano passado. O anúncio ocorre num contexto de relações tensas entre os dois governos.
Um funcionário do departamento de relações exteriores sul-africano confirmou à AFP que o país “aceitou” Bozell, acrescentando que uma cerimónia oficial de acreditação com o presidente Cyril Ramaphosa está agendada para abril. Um representante do Departamento de Estado norte-americano afirmou que Bozell “aguarda com expectativa assumir o cargo e representar a política externa America First”.
As relações bilaterais têm sido marcadas por divergências em várias políticas internacionais e domésticas. Entre os pontos de discórdia está o caso de genocídio apresentado pela África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça, que levou os Estados Unidos a expulsarem o embaixador sul-africano em março.
Durante a audiência de confirmação no Senado norte-americano em outubro, Bozell declarou que pressionaria Pretória para encerrar o caso contra Israel. O diplomata afirmou também que comunicaria “as objeções dos Estados Unidos ao desvio geoestratégico da África do Sul”, referindo-se às relações do país com a Rússia, China e Irão, com quem foram realizados exercícios navais em janeiro.
Bozell comprometeu-se ainda a promover a oferta de Trump de conceder estatuto de refugiado à minoria branca afrikaner, repetindo alegações da administração norte-americana sobre discriminação contra sul-africanos brancos. O diplomata é fundador do Media Research Center, uma organização sem fins lucrativos que afirma trabalhar para “expor e combater o viés esquerdista dos média nacionais”.
Em 1990, a organização criticou a cobertura mediática da visita de Nelson Mandela aos Estados Unidos após a sua libertação da prisão. Durante a audiência no Senado, Bozell justificou esses comentários pelo facto de o Congresso Nacional Africano (ANC) de Mandela estar na época “alinhado com a União Soviética”, acrescentando que Mandela é hoje a pessoa por quem tem “maior respeito” na África do Sul.
Bozell tem um filho, Leo Brent Bozell IV, que foi um dos quase 1.600 indivíduos condenados pelo assalto ao Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021. O mesmo recebeu um perdão presidencial quando Trump assumiu o cargo no ano passado.
Fonte: Clubofmozambique Com



