No quarto aniversário do início da invasão russa da Ucrânia, o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, emitiu uma declaração que vai além do mero protocolo diplomático, constituindo um posicionamento estratégico claro no contexto geopolítico europeu. A mensagem, publicada no site oficial da Presidência, não se limita a condenar a agressão, mas estabelece um quadro analítico sobre a evolução do conflito e o papel de Portugal no cenário internacional.
Marcelo Rebelo de Sousa destaca a “coragem admirável” do povo ucraniano, que enfrenta há quatro anos o que classifica como uma “agressão ilegal e de enorme brutalidade pela Federação Russa”. Esta formulação reflete não apenas solidariedade, mas uma leitura jurídico-política do conflito, enquadrando-o como uma violação flagrante do direito internacional. O Presidente português observa ainda que, apesar da escalada de violência, a determinação ucraniana tem-se fortalecido, sugerindo que a resiliência do país foi subestimada inicialmente por muitos analistas.
No plano da ação concreta, a declaração especifica que o apoio português à Ucrânia se mantém “inabalável” em múltiplas dimensões: política, militar, humanitária e financeira. Este compromisso é enquadrado no contexto da União Europeia, indicando que Portugal atua em coordenação com os seus parceiros europeus e internacionais. A menção explícita ao apoio contínuo “pelo tempo que for necessário” sugere um reconhecimento de que o conflito poderá prolongar-se, exigindo um compromisso de longo prazo.
Um dos elementos mais significativos da mensagem é o reforço do apoio à adesão da Ucrânia à União Europeia. Esta posição vai além da retórica imediata do conflito, apontando para uma visão estratégica do futuro da Europa e do lugar da Ucrânia no projeto europeu. Marcelo define os contornos da paz desejada: “justa e duradoura”, que respeite a independência, soberania e integridade territorial ucraniana, garantindo também segurança a longo prazo.
Sobre o papel de Portugal no processo de resolução do conflito, o Presidente sublinha o alinhamento com parceiros europeus e internacionais na pressão sobre a Rússia para cessar a agressão. A referência específica a um “processo negocial que conduza a acordo de paz, baseado no direito internacional e na Carta das Nações Unidas” indica uma preferência por soluções diplomáticas enquadradas em instituições multilaterais, em contraste com abordagens unilaterais.
A mensagem conclui com uma projeção temporal específica – a esperança de que 2026 traga um fim justo à guerra – e a reafirmação categórica: “Portugal permanecerá, sempre, ao lado da Ucrânia e dos ucranianos”. Esta formulação, com o advérbio “sempre”, transmite um compromisso que transcende governos ou ciclos políticos, sugerindo uma política de Estado consolidada.
Analiticamente, esta declaração posiciona Portugal como um ator comprometido com a ordem internacional baseada em regras, alinhado com os valores fundamentais da UE, e consciente das implicações de longo prazo do conflito para a segurança europeia. A referência à visita de Marcelo a Zelensky em agosto de 2023, mencionada no contexto original, reforça a dimensão pessoal e diplomática deste envolvimento, sugerendo que o apoio português não é meramente retórico, mas baseado em contactos diretos e conhecimento aprofundado da realidade no terreno.
Fonte: Sicnoticias Pt



