Num movimento estratégico para aprofundar os laços parlamentares com a América do Sul, as comissões especializadas da Assembleia Nacional de Angola aprovaram esta segunda-feira, em Luanda, o Projecto de Resolução para a constituição do Grupo Nacional PARLASUL. Esta iniciativa representa um passo significativo na integração institucional de Angola com os mecanismos parlamentares do Mercosul, posicionando o país para um papel mais ativo no diálogo regional.
A aprovação deste documento, que será submetido a votação na Reunião Plenária Extraordinária da 4ª Sessão Legislativa da V Legislatura no dia 26 deste mês, estabelece as bases para uma cooperação parlamentar estruturada. Segundo o relatório parecer conjunto, o grupo permitirá acompanhar tanto as relações bilaterais com os parlamentos dos países sul-americanos como as relações multilaterais através do PARLASUL, o órgão legislativo do Mercosul.
O deputado Felino Job esclareceu que o projecto visa estabelecer relações de cooperação com a Assembleia Nacional através da criação de um grupo de amizade entre o PARLASUL e o parlamento angolano, complementado pela assinatura de acordos de cooperação nos domínios político, económico, social e cultural. Esta abordagem multifacetada sugere uma visão integrada da cooperação internacional, que ultrapassa o mero intercâmbio diplomático para abranger dimensões substantivas do desenvolvimento.
Contextualizando esta iniciativa, o PARLASUL funciona como a voz representativa dos cidadãos dos Estados Partes do Mercosul – Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai – sendo composto atualmente por 43 parlamentares argentinos, 37 brasileiros, 18 paraguaios e 18 uruguaios. A Bolívia, em processo de adesão, conta com 18 parlamentares com direito a palavra. A criação deste mecanismo fortalece a democracia, a transparência e a participação cidadã, assegurando que as decisões do Mercosul refletem o pluralismo político e a diversidade regional.
Analiticamente, esta decisão parlamentar angolana pode ser interpretada como parte de uma estratégia mais ampla de diversificação das parcerias internacionais do país. Num contexto geopolítico em evolução, onde as alianças tradicionais estão a ser reavaliadas, o reforço dos laços com a América do Sul oferece a Angola novas oportunidades de cooperação económica e política. A integração no Grupo Nacional de Acompanhamento aos Parlamentos da América do Sul sugere ainda um compromisso institucional de longo prazo com o diálogo interparlamentar, potencialmente influenciando futuras políticas externas e acordos comerciais.
Esta iniciativa ocorre num momento em que muitos países africanos estão a expandir as suas relações com a América Latina, procurando sinergias entre regiões em desenvolvimento que partilham desafios semelhantes. A participação angolana no PARLASUL poderá facilitar a troca de experiências legislativas, boas práticas democráticas e modelos de integração regional, contribuindo para o fortalecimento mútuo das instituições parlamentares.
Fonte: Angola Press



