O governo angolano anunciou um significativo reforço da sua capacidade de monitorização sísmica com a instalação de dez novas estações, elevando para 21 o total de unidades operacionais no território nacional. Esta expansão, inserida na segunda fase de modernização do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET), representa um salto qualitativo na gestão de riscos naturais em Angola.
O ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, destacou durante a cerimónia de entrega de sensores que a monitorização sísmica constitui “uma necessidade estratégica” com impactos diretos na proteção civil, planeamento urbano e resiliência económica. A afirmação sublinha uma mudança de paradigma na abordagem angolana aos desastres naturais, transitando de uma postura reativa para uma estratégia preventiva baseada em dados científicos.
Analisando a distribuição geográfica das estações, verifica-se uma cobertura estratégica que abrange regiões com histórica incidência sísmica. As sete estações já operacionais localizam-se nas províncias de Malanje, Lunda-Norte, Bengo, Cuanza-Sul, Huambo, Moxico e Huíla, enquanto quatro unidades adicionais serão instaladas em março nas províncias de Benguela, Huíla, Namibe e Cunene. Esta distribuição reflete um mapeamento de risco baseado em dados históricos e estudos geológicos.
O projeto revela uma dimensão internacional significativa através da parceria com a Coreia do Sul, que financia parte da expansão. O embaixador sul-coreano, Kwanjin Choi, enquadrou esta colaboração no contexto do 34º aniversário das relações bilaterais, transformando a cooperação técnica num elemento de diplomacia científica. Esta sinergia internacional permite a Angola aceder a tecnologia de última geração sem os custos de desenvolvimento autónomo.
Do ponto de vista operacional, a rede ampliada permitirá monitorização em tempo real e emissão de alertas precoces, reduzindo potencialmente o número de vítimas e danos materiais. O ministro Oliveira enfatizou que os equipamentos “são fundamentais para a garantia da segurança das populações e das infraestruturas”, reconhecendo a interligação entre segurança sísmica e desenvolvimento sustentável.
A iniciativa insere-se no Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027, demonstrando o alinhamento entre políticas científicas e objetivos de desenvolvimento económico. Os dados sísmicos terão aplicações transversais em sectores estratégicos como construção civil, energia, exploração mineira e gestão ambiental, criando externalidades positivas para toda a economia angolana.
Esta expansão da rede sísmica representa mais do que uma simples adição de infraestrutura: simboliza a institucionalização de uma cultura de prevenção de riscos e a valorização da ciência como ferramenta de política pública. Num contexto regional onde muitos países ainda dependem de sistemas básicos de monitorização, Angola posiciona-se como referência emergente em gestão de riscos naturais na África Subsariana.
Fonte: Angola Press



