O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alcançou um marco significativo nas negociações para exportar carne bovina para a Coreia do Sul, um processo que se arrasta há 18 anos. Segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, este é o passo mais importante até agora, embora não tenha sido estabelecido um prazo concreto para a conclusão do acordo.
A Coreia do Sul anunciou que realizará auditorias nas unidades frigoríficas brasileiras para verificar o cumprimento dos requisitos sanitários e de qualidade. Esta etapa é crucial para finalizar o processo, e as expectativas são positivas, dado que o Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e já atende mercados com exigências rigorosas, como a China.
As negociações foram conduzidas durante a visita de Estado de Lula a Seul, após a sua passagem pela Índia, onde participou numa cimeira sobre inteligência artificial. Este avanço ocorre num contexto em que os produtores brasileiros enfrentam pressões adicionais devido às medidas de salvaguarda anunciadas pela China no final do ano passado, que impõem uma taxa de 55% sobre as importações que excedam as quotas estabelecidas. Em 2025, o Brasil exportou 1,65 milhões de toneladas de carne bovina para a China, ultrapassando o limite de 1,1 milhões de toneladas previsto para 2026.
Fávaro negou que a pressão para abrir o mercado sul-coreano esteja relacionada com as restrições chinesas, afirmando que o Brasil defende o multilateralismo e não tem preferências comerciais. Paralelamente, o ministro destacou a conclusão da abertura do mercado de ovos para a Coreia do Sul e o anúncio de que o país asiático irá ampliar os estudos sanitários para a carne suína, atualmente exportada apenas a partir de Santa Catarina.
Este sucesso na Coreia do Sul contrasta com os resultados menos favoráveis obtidos na Índia, onde as negociações sobre as tarifas do frango não progrediram. As taxas elevadas, que variam entre 30% e 100%, inviabilizam a competitividade dos produtos brasileiros, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A relutância da Índia em reduzir as tarifas está ligada à falta de aceitação, por parte do Brasil, de produtos como a romã indiana e, no passado, dos laticínios.
Em suma, o avanço nas negociações com a Coreia do Sul representa uma oportunidade estratégica para o Brasil diversificar os seus mercados de exportação de carne bovina, reduzindo a dependência da China e fortalecendo a sua posição no comércio internacional, apesar dos desafios persistentes noutras frentes.
Fonte: Folha de S.Paulo
