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Brasileiras mantêm voluntariado na Ucrânia após quatro anos de conflito

Clara Magalhães Martins encontra-se há aproximadamente 1.500 dias na Ucrânia. A advogada brasileira de 35 anos abandonou a sua residência e emprego na Alemanha para prestar assistência humanitária à população afetada pelo conflito, que completa quatro anos esta terça-feira (24).

Após residir em várias regiões do país, Clara aluga atualmente um apartamento em Rivne, no noroeste da Ucrânia, próximo da fronteira com a Bielorrússia. A voluntária descreve que as suas atividades a mantêm constantemente ocupada, referindo que a procura de ajuda pela população se mantém elevada, apesar de uma redução recente no apoio internacional.

Clara realiza frequentemente viagens pela Ucrânia, incluindo deslocações à Polónia para recolher donativos provenientes do exterior. Entre os artigos recebidos contam-se alimentos enlatados, lenços húmidos, velas e extintores de incêndio, fornecidos por um grupo sueco.

Há dois anos e meio sem regressar ao Brasil, a voluntária divide o seu tempo entre o trabalho humanitário e funções na área de segurança militar. Clara afirma não considerar abandonar a Ucrânia, destacando a sua situação privilegiada em comparação com os residentes locais que perderam as suas habitações.

Elizabeth de Souza, missionária brasileira de 65 anos, é outra voluntária que atua na Ucrânia há dois anos. Diariamente, prepara e distribui refeições para cerca de 200 pessoas num refeitório improvisado instalado numa tenda.

A voluntária, que tem experiência anterior na área social, conta com o apoio de uma organização não-governamental religiosa financiada através de donativos nas redes sociais. Elizabeth suporta mensalmente cerca de 4.000 reais para alugar um apartamento de três quartos em Rivne, que partilha com a filha e o genro.

Entre as dificuldades identificadas por Elizabeth encontra-se a situação dos idosos que permaneceram sozinhos após a migração dos seus familiares, muitos dos quais dependem de donativos devido a pensões de reforma reduzidas.

Ambas as voluntárias brasileiras indicam não ter planos de abandonar a Ucrânia, apesar das condições adversas decorrentes do conflito. Clara refere que as amizades estabelecidas no país e o sentido de lealdade entre a população são fatores que a motivam a permanecer.

Fonte: Folha de S.Paulo

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