Maria Luís Albuquerque, comissária responsável pelos Serviços Financeiros e União da Poupança e dos Investimentos, defendeu a implementação de benefícios fiscais para contas de poupança e investimento. Esta proposta visa incentivar as famílias europeias a direcionar parte das suas poupanças para os mercados de capitais, com o objetivo de aumentar a rentabilidade e alavancar a competitividade europeia.
De acordo com dados da Comissão Europeia, as famílias europeias mantêm 11 biliões de euros em depósitos bancários. Em Portugal, este valor ascende a 200 mil milhões de euros em contas à ordem e a prazo. A comissária considera que este capital poderia render mais se fosse investido nos mercados de capitais.
Durante uma entrevista concedida à SIC e ao Expresso, Maria Luís Albuquerque sugeriu que as poupanças deveriam ser divididas em três categorias: uma parte para emergências, mantida em depósitos acessíveis; outra parte para investimento nos mercados de capitais; e uma terceira parte em produtos com garantias, como os associados à indústria seguradora.
A Comissão Europeia recomenda aos governos nacionais que criem benefícios fiscais para contas de poupança e investimento, seguindo o modelo de países como a Dinamarca. Estas contas oferecem maior rentabilidade do que os depósitos tradicionais, embora envolvam um risco moderado.
Maria Luís Albuquerque, que foi ministra das Finanças de Portugal durante o período de recuperação da crise financeira, sublinhou que o investimento implica sempre algum nível de risco, mas que a diversificação pode mitigar esses riscos. A comissária referiu que investidores que tenham aplicado capital há 20 anos já recuperaram plenamente das perdas da última crise financeira.
Além das contas de poupança e investimento, Bruxelas propõe também benefícios fiscais para o reforço das pensões complementares privadas. A comissária explicou que o sistema público de pensões deve ser mantido, mas que é necessário desenvolver pensões ocupacionais e pessoais para complementar os rendimentos futuros, especialmente para as gerações mais jovens.
Maria Luís Albuquerque admitiu que esta lógica pode não ser aplicável a pessoas próximas da idade da reforma, uma vez que estas têm menos tempo para recuperar de eventuais crises financeiras. No entanto, para as gerações mais jovens, o investimento nos mercados de capitais pode ser uma opção viável.
A comissária garantiu que o objetivo da proposta é oferecer oportunidades de rendimento às famílias, sem que a Comissão Europeia imponha medidas obrigatórias aos Estados-membros.
Fonte: Sicnoticias Pt



