As autoridades mexicanas estão em alerta máximo para impedir que elementos ligados aos cartéis de drogas colombianos se infiltrem no país durante a Copa do Mundo de 2026, aproveitando-se do fluxo massivo de turistas. Esta preocupação foi expressa por Roberto Alarcón, coordenador geral de segurança estratégica do estado de Jalisco, cuja capital, Guadalajara, é uma das cidades-sede do torneio. A medida preventiva surge num contexto de crescente envolvimento de ex-militares e ex-guerrilheiros colombianos com os cartéis mexicanos, fenómeno que se tem intensificado desde o desarmamento das FARC em 2017 e a redução do orçamento militar na Colômbia.
Segundo Alarcón, já foram identificados casos de recrutamento por parte de cartéis em Jalisco, e é expectável que estrangeiros associados a estes grupos criminosos utilizem pacotes turísticos e outras facilidades para entrar na região. Este cenário não é inédito: em junho do ano passado, o Exército mexicano deteve dez ex-soldados colombianos no estado vizinho de Michoacán, após uma explosão que causou a morte de seis militares mexicanos. Especialistas apontam que a transição de ex-combatentes colombianos para o crime organizado no México segue um padrão observado noutros países em conflito, como o Sudão e a Ucrânia, onde a desmobilização de forças armadas ou paramilitares tem conduzido a migrações de pessoal treinado para redes criminosas transnacionais.
Para fazer face a esta ameaça, Guadalajara está a implementar um aparato de segurança sem precedentes, que inclui mais de 2.000 câmaras de vigilância, drones, sistemas anti-drone para controlo do espaço aéreo, helicópteros e veículos motorizados especializados. A cidade, que integra a segunda maior região metropolitana do México com 3,5 milhões de habitantes, prepara-se para receber dezenas de milhares de visitantes durante o evento. O Estádio de Guadalajara, com capacidade para 48.000 espectadores, será palco de quatro partidas, incluindo o segundo jogo do México na fase de grupos, a 18 de junho, contra a Coreia do Sul.
A Copa do Mundo de 2026, a maior da história com 48 seleções, é organizada conjuntamente pelo México, Estados Unidos e Canadá, colocando pressão adicional sobre as autoridades mexicanas para garantirem a segurança num evento de dimensão global. As declarações de Alarcón reflectem uma estratégia proativa, mas também sublinham os desafios persistentes na luta contra o crime organizado, que se adapta continuamente a novas oportunidades, como os megaeventos desportivos. Esta situação ilustra como a geopolítica do narcotráfico evolui, com alianças transnacionais e recrutamento de pessoal qualificado a redefinir as dinâmicas de segurança na América Latina.
Fonte: Folha de S.Paulo
