A circulação de informações falsas sobre a qualidade da água na Região Metropolitana do Rio de Janeiro tem sido um fenómeno recorrente desde 2020, com uma mensagem específica a alegar a contaminação por um vírus que supostamente causaria parada cardíaca em crianças. Esta alegação, amplamente disseminada através de áudios e redes sociais, carece de fundamento científico e foi desmentida pelas entidades responsáveis.
A Cedae, empresa pública que historicamente geriu a captação e tratamento de água na região, e a Águas do Rio, uma das concessionárias privadas que assumiram parte dos serviços após os leilões de saneamento em 2021, emitiram declarações formais em 2023 a refutar a informação. A reestruturação do sector, que incluiu a entrada da Iguá e da Rio+Saneamento para a distribuição, comercialização e tratamento de esgoto, não alterou os protocolos de segurança hídrica, mantendo padrões regulamentados.
Analisando o contexto, a persistência desta desinformação reflecte preocupações públicas mais amplas sobre a infraestrutura de saneamento no Brasil, um tema sensível após décadas de investimentos insuficientes. No entanto, especialistas em saúde pública e recursos hídricos sublinham que não há registos de surtos associados a vírus cardíacos na água tratada, sendo a mensagem um exemplo de como notícias falsas podem explorar medos parentais e lacunas de comunicação institucional.
A resposta das autoridades, embora tardia em alguns casos, destaca a necessidade de monitorização contínua e transparência nos dados de qualidade da água, especialmente em regiões urbanas densas como o Rio. Esta situação serve como um alerta para os desafios da governação da água num ambiente de rápida desinformação digital.
Fonte: G1



