Elon Musk, proprietário da SpaceX, Tesla e X, revelou recentemente planos para estabelecer uma cidade autossustentável na Lua, priorizando este objetivo em relação a Marte. A declaração foi feita numa publicação na rede social X, que registou mais de 40 milhões de visualizações.
Segundo Musk, a SpaceX alterou o seu foco para a construção de uma cidade lunar que poderá expandir-se gradualmente, utilizando recursos locais. Esta mudança deve-se à maior frequência possível de lançamentos para a Lua – a cada dez dias, com viagens de dois dias – em comparação com Marte, onde as janelas de oportunidade ocorrem apenas a cada 26 meses, com viagens de seis meses. Musk afirmou que o objectivo lunar poderá ser alcançado em “menos de dez anos”, enquanto Marte exigiria “20 anos ou mais”.
Apesar desta nova prioridade, a SpaceX mantém a ambição de construir uma cidade em Marte, com planos para iniciar esse processo “em cerca de 5 a 7 anos”. Contudo, Musk sublinhou que “a principal prioridade é garantir o futuro da civilização e a Lua é mais rápida”.
Esta alteração de estratégia foi reportada pelo The Wall Street Journal no início de fevereiro, indicando que a SpaceX informou investidores sobre a priorização de missões lunares, com um pouso lunar não tripulado previsto para março de 2027. Esta abordagem contrasta com declarações anteriores de Musk, que em janeiro de 2025 afirmou: “Não, nós vamos direto para Marte. A Lua é uma distração”.
Especialistas analisaram a viabilidade do plano. Sungwoo Lim, professor da Universidade de Surrey, descreveu-o como “ambicioso” mas não “ficção científica”, baseando-se em processos industriais terrestres para produção de oxigénio, água e materiais de construção a partir do solo lunar. No entanto, destacou desafios como temperaturas extremas, poeira fina, baixa gravidade e escassez de energia, exigindo testes adequados na superfície lunar.
Lim observou ainda que as agências espaciais governamentais tendem a avançar com cautela devido a dependência de fundos públicos, enquanto a SpaceX poderá acelerar o processo através de lançamentos mais frequentes e de menor custo.
Ugur Guven, da Universidade GD Goenka, salientou a vantagem lunar para assentamentos iniciais: a possibilidade de reabastecimento rápido e resposta a emergências, dada a proximidade da Terra. A viagem entre os dois corpos celestes demora normalmente 2 a 3 dias.
Contudo, especialistas alertam que uma cidade verdadeiramente autossustentável permanece um objectivo distante. Clive Neal, da Universidade Notre Dame, e Sungwoo Lim concordam que sistemas fechados para cultivo de alimentos e reciclagem completa exigirão décadas de desenvolvimento, avançando gradualmente em vez de forma imediata.
Fonte: Folha de S.Paulo



