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Encerramento do Heliporto do Hospital Pedro Hispano: Um Golpe na Rede de Emergência Pré-Hospitalar Portuguesa

A decisão de encerrar o heliporto do Hospital Pedro Hispano, pertencente à Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), expõe fragilidades estruturais no sistema de emergência médica português e levanta questões sobre a sustentabilidade da rede de helitransporte nacional. O encerramento, determinado após avaliações técnicas conjuntas entre a ULSM e a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), decorre de riscos de segurança identificados nos canais de aproximação, onde obstáculos como árvores de grande porte e linhas de alta tensão comprometem as operações aéreas.

A análise técnica revela que os padrões internacionais de aviação civil, particularmente os da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), evoluíram desde a construção do heliporto. Os ângulos dos canais de aproximação, anteriormente fixados em 8%, foram reduzidos para 4,5%, tornando os obstáculos existentes incompatíveis com as normas de segurança atuais. A impossibilidade de reorientar os canais ou remover os obstáculos – muitos localizados em propriedades privadas ou pertencentes à E-Redes – levou à conclusão de que a única solução viável seria a conversão para um heliporto elevado, com aproximadamente 10 metros de altura, uma medida que não foi implementada.

Carlos Silva, presidente da Sociedade Portuguesa de Emergência Pré-Hospitalar, sublinha que o encerramento terá impactos significativos, especialmente num contexto em que a rede de helitransporte se tornou mais ativa e funcional. Em 2025, o heliporto registou cerca de 90 voos, maioritariamente destinados a hospitais da Área Metropolitana do Porto, evidenciando o seu papel na logística de emergência regional. No entanto, Silva critica a falta de estudos aprofundados sobre o impacto real destas decisões nos serviços de emergência médica, o que dificulta uma análise fundamentada.

A ULSM justificou a suspensão temporária do heliporto com base na recomendação da ANAC, assegurando que todas as entidades relevantes – incluindo o INEM, o CODU, os Bombeiros Voluntários de Leixões e o Serviço de Proteção Civil de Matosinhos – foram notificadas. Esta medida reflecte uma abordagem cautelosa, mas também revela a tensão entre a necessidade de segurança operacional e a manutenção de infraestruturas críticas para a saúde pública.

O caso do Hospital Pedro Hispano ilustra um desafio mais amplo: a adaptação de infraestruturas de emergência envelhecidas às exigências regulatórias modernas, num país onde o investimento em estudos de impacto e em modernizações pode ser limitado. A ausência de dados concretos sobre as consequências deste encerramento – tanto em termos de tempo de resposta como de desvios logísticos – deixa uma lacuna na avaliação da eficácia do sistema pré-hospitalar, levantando dúvidas sobre a preparação para futuras crises de saúde.

Fonte: Sicnoticias Pt

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