A empresa estatal sul-africana de energia Eskom, considerada a maior emissora mundial de dióxido de enxofre, divulgou um estudo que questiona a viabilidade económica da instalação de equipamentos de dessulfurização na central térmica de Medupi. Esta posição poderá violar os termos de um empréstimo contraído junto do Banco Mundial.
De acordo com informações divulgadas pela Bloomberg, a Eskom estima que a instalação retroactiva de unidades de dessulfurização de gases de combustão por via húmida (FGD) na central de Medupi, localizada na província de Limpopo, implicaria custos de instalação e operação no valor de 24 mil milhões de dólares até ao encerramento previsto da unidade, em 2071. Em alternativa, a empresa propõe um programa de fornecimento de equipamentos de cozinha limpa às comunidades locais, com um custo estimado em 5,1 mil milhões de rands (aproximadamente 321,5 milhões de dólares).
Em 2010, a Eskom obteve um empréstimo de 3,75 mil milhões de dólares do Banco Mundial para a conclusão da central de Medupi, uma das maiores centrais térmicas a carvão do mundo. O acordo incluía a condição de instalação de equipamentos de redução da poluição. Em 2021, foi acordado um adiamento do prazo para a instalação destes equipamentos, de 2025 para junho de 2027.
No estudo divulgado, a Eskom afirma que “o valor monetário dos benefícios para a saúde resultantes da redução das emissões de dióxido de enxofre é substancialmente inferior às despesas de capital e operacionais do sistema FGD”. A empresa acrescenta que os benefícios para a saúde são “ordens de grandeza inferiores ao custo da implementação do FGD húmido em Medupi”.
A Eskom referiu que, “em caso de qualquer desvio ao entendimento, serão realizados contactos com o financiador envolvido”. O Banco Mundial não emitiu um comentário imediato sobre o assunto. O estudo encontra-se atualmente em fase de consulta pública.
A poluição por dióxido de enxofre está associada a doenças respiratórias e à ocorrência de chuva ácida. A Eskom salientou que, para além dos custos elevados, a instalação do equipamento FGD aumentaria o consumo de água, exigiria grandes quantidades de calcário e geraria emissões adicionais de dióxido de carbono, um gás com efeito de estufa.
Lauri Myllyvirta, analista principal do Centro de Investigação sobre Energia e Ar Limpo, sediado em Helsínquia, criticou a metodologia do estudo, afirmando que “excluíram cuidadosamente todos os grandes centros populacionais”. Myllyvirta sublinhou que “o benefício do FGD é fortemente subestimado”, uma vez que o estudo avaliou o impacto da poluição numa área com cerca de 1,7 milhão de pessoas nas proximidades da central, mas não considerou adequadamente os efeitos na saúde em regiões com níveis mais baixos de poluição, como a província de Gauteng, que tem aproximadamente 16 milhões de habitantes.
A Eskom defende que o programa alternativo de cozinha limpa “proporciona benefícios expressivos para a saúde ao reduzir a poluição do ar dentro das habitações” e que “os benefícios estimados para a saúde superam significativamente os custos de implementação em mais de 30 vezes”.
Fonte: Diarioeconomico Co Mz



