O Presidente da República de Angola, João Lourenço, assinou um decreto que atribui a Medalha de Valor de Serviço Policial, Classe Única, ao Comissário-Geral Fernando da Piedade Dias dos Santos, conhecido como “Nandó”, a título póstumo. Esta condecoração, divulgada publicamente pela Presidência da República, reconhece formalmente o mérito, a dedicação e os serviços relevantes prestados pelo antigo dirigente à causa da segurança pública e ao fortalecimento das instituições do Estado angolano.
A atribuição desta medalha assume um significado que transcende o mero reconhecimento individual, inserindo-se num contexto mais amplo de valorização do legado institucional angolano. Fernando da Piedade Dias dos Santos destacou-se como uma figura marcante na vida política e institucional do país, com um percurso que reflete a evolução das estruturas de segurança e governação em Angola desde a independência. A sua ligação histórica aos órgãos de segurança e à governação não foi apenas funcional, mas simbólica de um período de consolidação estatal.
Analisando o seu percurso, verifica-se que Nandó exerceu funções de elevada responsabilidade que abrangeram múltiplas dimensões do aparelho de Estado. Entre os cargos mais significativos, contam-se o de comandante-geral da Polícia Nacional, Vice-Presidente da República e presidente da Assembleia Nacional (Parlamento). Esta trajetória multifacetada permite compreender a homenagem póstuma não apenas como reconhecimento de serviços policiais, mas como validação de um contributo abrangente para a consolidação da ordem pública e para o serviço à Nação em diferentes frentes.
A cerimónia de outorga das medalhas, agendada para 26 de Fevereiro de 2026 no Complexo Protocolar da Presidência da República em Luanda, insere-se estrategicamente nas celebrações do 50.º aniversário da Polícia Nacional de Angola, que se assinala a 28 de Fevereiro de 2026. Este enquadramento temporal confere à homenagem uma dimensão histórica adicional, posicionando-a como parte das comemorações institucionais de meio século de existência da polícia angolana.
É significativo notar que a lista de condecorados inclui não apenas Fernando da Piedade Dias dos Santos, mas também vários outros oficiais da Polícia Nacional, incluindo antigos comandantes-gerais como Santana André Pitra “Petroff”, José Alfredo “Ekuikui”, Ambrósio de Lemos Freire dos Santos, Paulo de Almeida, Alfredo Manuel Mingas “Panda” e Arnaldo Manuel Carlos. A inclusão de nomes como Armindo do Espírito Santo Vieira, João Arnaldo Saraiva de Carvalho “Tetembwa”, José Carlos Inácio da Piedade, Fernando Torres Vaz da Conceição “Mussolo”, Francisco Monteiro Ribas da Silva, Salvador José Rodrigues “Dodó”, António Maria Sita, Domingos Ferreira da Andrade e Orlando Jorge Bernardo sugere que esta iniciativa representa um reconhecimento coletivo do contributo histórico de múltiplas gerações de profissionais de segurança para a construção do Estado angolano.
Esta condecoração póstuma pode ser interpretada como um gesto político que visa reforçar a continuidade institucional e legitimar o papel histórico das forças de segurança na estabilidade nacional. Num contexto em que muitos países africanos reavaliam as suas narrativas históricas pós-coloniais, a homenagem a figuras como Nandó serve também para afirmar uma certa visão do percurso nacional angolano, enfatizando valores de serviço público, dedicação institucional e contribuição para a segurança nacional.
Fonte: Angola Press





