Um estudo do Centro de Reflexão da Fundação Belmiro de Azevedo (Edulog) concluiu que a distância geográfica e as condições socioeconómicas continuam a condicionar o acesso ao Ensino Superior em Portugal. A investigação, intitulada “Desigualdades Regionais e Mobilidade de Estudantes no Acesso ao Ensino Superior”, analisou dados de cerca de 724 mil diplomados do ensino secundário entre 2013 e 2023.
Os resultados evidenciam uma forte concentração de estudantes nas regiões litorais, particularmente entre a Península de Setúbal e Viana do Castelo. Os municípios de Lisboa (7,9%), Porto (4,8%), Sintra (2,8%), Braga (2,8%) e Cascais (2,3%) concentram aproximadamente um quinto dos diplomados do ensino secundário. Em contraste, 19 dos 278 municípios continentais não registaram qualquer diplomado neste período.
O estudo identifica que os alunos provenientes do Interior do país e com menos recursos económicos são os mais prejudicados no acesso ao Ensino Superior. Segundo a Edulog, os diplomados das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto demonstram maior sensibilidade à distância, beneficiando de uma rede ampla de instituições próximas. Os estudantes do Interior revelam menor sensibilidade, uma vez que frequentar o ensino superior implica quase sempre deslocação ou mudança de residência.
Rui Tomás, secretário-geral do Piaget, referiu ao Diário de Notícias que as desigualdades regionais não são apenas educativas, mas também territoriais, económicas e demográficas. O responsável destacou que os custos reais para estudantes do Interior incluem alojamento, transporte, distância à família e necessidade de conciliar trabalho com estudo, para além das propinas.
Na análise por áreas de formação, o curso de Medicina apresenta menor sensibilidade à distância comparativamente com outros cursos, devido ao seu carácter altamente seletivo e prestigiado. Contudo, os fatores socioeconómicos tornam-se mais determinantes nesta área.
Para reduzir as desigualdades, os investigadores propõem a implementação de apoios diferenciados para mobilidade, criação ou reforço de bolsas específicas de deslocação e residência para estudantes do Interior, e apoio em transporte e alojamento para estudantes de regiões periféricas. Defendem ainda o reforço do Ensino Superior nas regiões do Interior.
Rui Tomás sublinhou a necessidade de uma estratégia territorial coerente que trate a coesão como política de qualificação, reforçando a oferta educativa onde é necessária e criando incentivos à fixação de talento.
Fonte: Sicnoticias Pt
