Peter Mandelson, antigo embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, foi libertado sob fiança após ter sido detido na segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, no âmbito de uma investigação por má conduta no exercício de funções públicas. A detenção ocorreu na sequência de revelações sobre as suas ligações ao financeiro norte-americano Jeffrey Epstein, já falecido e condenado por crimes sexuais.
Um porta-voz da Polícia Metropolitana de Londres confirmou, numa declaração divulgada na terça-feira, que “um homem de 72 anos detido sob suspeita de má conduta no exercício de funções públicas foi libertado sob fiança, aguardando investigações adicionais”. Embora a polícia britânica não identifique formalmente os suspeitos, fontes confirmaram tratar-se de Mandelson, que foi filmado a ser conduzido por agentes à paisana da sua residência em Londres para um veículo policial.
A investigação criminal centra-se em alegações de que Mandelson terá transmitido informações sensíveis do governo britânico a Epstein há cerca de quinze anos. As suspeitas incluem a partilha de um relatório interno governamental sobre formas de angariar fundos após a crise financeira global de 2008, que discutia a venda de ativos estatais, e a promessa de fazer lobby para reduzir um imposto sobre bónus bancários. Mandelson não enfrenta acusações de má conduta sexual.
Esta detenção ocorre quatro dias após a prisão de Andrew Mountbatten-Windsor, o antigo Príncipe Andrew, numa investigação separada mas relacionada com alegações semelhantes de transmissão indevida de informações governamentais a Epstein. Ambos os casos surgem na sequência da divulgação, em janeiro de 2026, de mais de três milhões de páginas de documentos relacionados com Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Peter Mandelson, de 72 anos, exerceu funções de alto nível em governos trabalhistas anteriores, incluindo cargos ministeriais sob os primeiros-ministros Tony Blair e Gordon Brown, e foi comissário de Comércio da União Europeia. Foi nomeado embaixador em Washington pelo primeiro-ministro Keir Starmer, mas foi demitido em setembro de 2025 após a publicação de emails que revelavam a manutenção de uma amizade com Epstein após a condenação deste em 2008.
A polícia britânica iniciou uma investigação criminal no início de fevereiro de 2026, tendo realizado buscas a duas residências de Mandelson em Londres e no oeste de Inglaterra. O governo comprometeu-se a divulgar documentos relacionados com a nomeação de Mandelson no início de março, embora este calendário possa ser afetado pela investigação em curso.
Gordon Brown, sob cujo governo Mandelson serviu, manifestou irritação com as revelações e tem colaborado com as autoridades policiais. A carreira política de Mandelson foi marcada por controvérsias, incluindo duas demissões durante a administração Blair por alegações de irregularidades financeiras ou éticas, tendo sempre negado qualquer ilegalidade.
Fonte: Clubofmozambique Com



