O Governo de Luís Montenegro formalizou um contrato de 11.500 euros com a empresa GlitterGlobe Lda. para serviços de maquilhagem e cabeleireiro destinados a ministros e secretários de Estado. Este acordo, divulgado pelo Correio da Manhã e confirmado pelo executivo, prevê a realização de 50 serviços ao longo de um ano, com um custo unitário de 230 euros por sessão.
Analisando os detalhes do contrato, verifica-se que o valor total se situa abaixo do limiar de 20.000 euros, o que justificou a opção pelo ajuste direto, um procedimento simplificado de contratação pública. O acordo abrange serviços de maquilhagem e desmaquilhagem para ambos os géneros, enquanto o cabeleireiro está reservado às governantes do sexo feminino.
Do ponto de vista estratégico, o Governo defende que esta despesa visa “garantir a qualidade de imagem nas conferências de imprensa”, posicionando-a como um investimento na comunicação institucional. Esta justificação levanta questões sobre a priorização de recursos públicos, especialmente num contexto de restrições orçamentais e expectativas de austeridade.
O montante de 11.500 euros, embora relativamente modesto no orçamento global do Estado, simboliza uma escolha política significativa. A decisão reflete uma crescente profissionalização da imagem política, onde a aparência física é encarada como componente da comunicação governamental. Contudo, também expõe o executivo a críticas sobre o uso de fundos públicos para fins estéticos, num período onde outras áreas sociais e económicas reclamam atenção financeira.
Este caso ilustra o delicado equilíbrio entre a necessidade de projeção mediática eficaz e a responsabilidade na gestão do erário público, um debate que transcende as fronteiras portuguesas e se insere nas discussões contemporâneas sobre transparência e prioridades governamentais.
Fonte: Sicnoticias Pt



