O novo Hospital Américo Boavida, em Luanda, irá incorporar uma réplica da sua fachada histórica, numa decisão que equilibra a modernização das infraestruturas de saúde com a preservação do património simbólico. Esta medida, anunciada pela ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, durante uma visita às obras de reabilitação e ampliação, visa manter viva a memória de uma das instituições sanitárias mais emblemáticas de Angola, que marcou gerações de profissionais e utentes.
A decisão de demolir o edifício original, construído na década de 1960, resultou de um extenso programa nacional de avaliação de infraestruturas públicas, iniciado em 2022. Este programa analisou 511 edifícios em todo o país, identificando problemas estruturais em 135 deles. No caso do Américo Boavida, estudos técnicos conduzidos pelo Laboratório de Engenharia de Angola (LEA) envolveram inspeções visuais, ensaios não destrutivos, testes laboratoriais ao betão e ao aço, e estudos geotécnicos às fundações.
Fernando Bonito, diretor-geral do LEA, detalhou que mais de três mil elementos estruturais foram avaliados ao longo de três meses, com base em regulamentos atuais e melhores práticas internacionais. O parecer final foi conclusivo: o edifício não oferecia garantias de segurança para continuar a funcionar como hospital nas próximas décadas, tornando a demolição a opção mais adequada. Esta abordagem reflecte uma tendência crescente em projectos de renovação urbana, onde a segurança e a funcionalidade são prioritárias, mas o valor histórico não é negligenciado.
O futuro hospital, previsto para inaugurar entre finais de 2024 e o primeiro semestre de 2027, está projectado para ser uma referência nacional e regional em cuidados diferenciados. Com cerca de 500 camas de internamento, unidades de cuidados intensivos para adultos, pediátricos e cirúrgicos, entre outros serviços, representa um investimento significativo no sector da saúde angolano. A réplica da fachada serve assim como um elo entre o passado e o futuro, simbolizando a evolução dos cuidados de saúde enquanto honra a herança institucional.
Fonte: Angola Press



