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Instituto Nacional do Câncer prevê maior incidência de cancro da tiroide em mulheres no Brasil

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Instituto Nacional do Câncer prevê maior incidência de cancro da tiroide em mulheres no Brasil

De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para o triénio 2026-2028, são esperados anualmente 13.310 novos casos de cancro da tiroide em mulheres e 3.140 em homens no Brasil, o que representa uma proporção média de quatro para um.

Especialistas indicam que esta maior incidência no público feminino segue uma tendência global. Dois factores podem contribuir para estes números: influências hormonais e maior procura por cuidados de saúde por parte das mulheres, que tendem a ser mais proactivas na busca de diagnóstico.

Aline Lauda, coordenadora do Comité de Tumores de Cabeça e Pescoço da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), explica que factores que afectam a produção hormonal, como a gravidez, ou outros aspectos clínicos, como a obesidade, podem alterar o funcionamento da tiroide. A especialista acrescenta que as mulheres realizam mais exames de diagnóstico, sendo comum a solicitação de ecografias da tiroide durante consultas de ginecologia.

Apesar de o cancro da tiroide ser o quinto mais frequente entre as brasileiras, a doença apresenta elevadas taxas de cura. Contudo, não existem indicações para exames de prevenção ou diagnóstico precoce, excepto em casos de síndromes de neoplasia endócrina múltipla, que são hereditárias e requerem rastreio e acompanhamento de pacientes e familiares.

Aline Lauda salienta que, na maioria dos casos, o cancro da tiroide não é agressivo, podendo em algumas situações apenas ser acompanhado sem tratamento. É fundamental a avaliação por um profissional especializado, como endocrinologista, cirurgião de cabeça e pescoço ou oncologista, para determinar a abordagem adequada. Alterações no pescoço, como gânglios linfáticos aumentados ou nódulos persistentes, podem estar relacionadas com outras doenças benignas ou malignas.

A glândula tiroide localiza-se na base do pescoço, à frente, ligeiramente abaixo da proeminência laríngea. Esta glândula produz e armazena hormonas, nomeadamente T3 (Triiodotironina) e T4 (Tetraiodotironina), que regulam funções como batimentos cardíacos, pressão arterial, temperatura corporal e metabolismo energético.

O excesso de produção hormonal pode causar taquicardia, palpitações, irritabilidade, ansiedade e insónia, condição conhecida como hipertiroidismo. A baixa produção, denominada hipotiroidismo, pode resultar em fadiga, aumento de peso e problemas dermatológicos.

Os principais tipos de cancro da tiroide incluem carcinoma papilar (80% a 90% dos casos, com crescimento lento e elevada taxa de cura), carcinoma folicular (5% a 10%, com maior propensão para disseminação hematogénica), carcinoma medular (3% a 5%, geralmente hereditário) e carcinoma anaplásico (1% a 2%, raro e mais agressivo).

O diagnóstico é realizado através de ecografia da tiroide, seguida de punção aspirativa com agulha fina para análise celular. Quando necessária, a intervenção cirúrgica pode envolver remoção total ou parcial da glândula, podendo ser complementada com iodoterapia em alguns casos.

Os factores de risco para o cancro da tiroide incluem tratamentos de radiação na região da cabeça, pescoço ou tórax (especialmente durante a infância ou adolescência), histórico familiar, presença de nódulos de grandes dimensões ou em rápido crescimento, e idade superior a 40 anos. Inflamações como a Tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune que causa hipotiroidismo, também aumentam o risco.

Segundo Lorena Lima Amato, endocrinologista pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o cancro da tiroide é geralmente assintomático em ambos os sexos. Quando presentes, os sintomas podem incluir nódulo cervical, compressão esofágica com dificuldade em engolir, rouquidão, tosse e desconforto respiratório.

Alterações nos níveis hormonais T3 e T4 em análises sanguíneas não indicam necessariamente cancro da tiroide, uma vez que a maioria dos tumores não afecta a produção hormonal, destacando a importância de exames de imagem para diagnóstico.

Fonte: Folha de S.Paulo

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