A Polícia da República de Moçambique (PRM) deteve, na noite de terça-feira, 24 de janeiro, a vereadora das Finanças do Conselho Municipal de Xai-Xai, Cláudia Eli, por suspeita de envolvimento no desvio de produtos de ajuda humanitária destinados às vítimas das cheias. A detida encontra-se sob custódia na 2.ª esquadra da PRM.
Esta detenção ocorre 24 horas após a prisão de outras quatro pessoas no âmbito do mesmo processo: a administradora da província de Xai-Xai, Argelência Chissano, a directora do gabinete da governadora de Gaza, Dora Artur, e um funcionário do armazém do governo distrital.
Simão Simbine, chefe do gabinete jurídico do Conselho Municipal de Xai-Xai, confirmou a detenção e referiu que foram encontrados cerca de 75 kits de produtos alimentares na garagem da residência oficial do Conselho Municipal. Segundo Simbine, os bens foram depositados na residência protocolar do município com conhecimento do governo distrital e dos doadores, devido à falta de condições de armazenamento no armazém distrital.
Com esta detenção, o número total de pessoas detidas no âmbito do alegado desvio de donativos destinados às vítimas das cheias na província de Gaza ascende a cinco.
O caso surge num contexto de forte pressão sobre os mecanismos de gestão de ajuda humanitária em Moçambique, que enfrenta uma das épocas chuvosas mais severas dos últimos anos. As cheias têm impactos significativos na produção agrícola, segurança alimentar e infra-estruturas públicas, factores que podem agravar os desafios macroeconómicos e sociais do país.
Segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, as cheias registadas em Janeiro provocaram 27 mortos e afectaram 724.131 pessoas, sendo a província de Gaza a mais atingida. Desde o início da época chuvosa, em Outubro, o número total de óbitos ascende a 239, com cerca de 870.000 pessoas afectadas em todo o país.
O impacto económico e social das intempéries é significativo: 555.040 hectares de áreas agrícolas foram afectados, dos quais 288.016 hectares considerados perdidos, atingindo 365.784 agricultores. Registou-se ainda a morte de 530.998 animais e danos em 7.845 quilómetros de estradas, 36 pontes e 123 aquedutos.
Durante este período, foram activados 149 centros de acomodação, que acolheram 113.478 pessoas. Actualmente, mantêm-se 41 centros em funcionamento, com pelo menos 33.905 deslocados.
Fonte: Diarioeconomico Co Mz
