O presidente norte-americano Donald Trump anunciou uma nova tarifa global de 15% que entrará em vigor na terça-feira, 24 de março, com validade de 150 dias, exceto se houver autorização do Congresso para prolongamento. Esta medida substitui as tarifas anteriores impostas através da Lei de Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA), que foram consideradas ilegais pela Suprema Corte dos Estados Unidos na sexta-feira, 20 de março.
De acordo com uma análise do Global Trade Alert (GTA), o Brasil registará a maior redução nas taxas tarifárias médias, com uma diminuição de 13,6 pontos percentuais, seguido pela China, com uma redução de 7,1 pontos percentuais. Países como México e Canadá também beneficiarão de reduções significativas. Em contraste, aliados de longa data dos Estados Unidos, incluindo o Reino Unido, a União Europeia e o Japão, sofrerão o maior impacto da nova tarifa.
O representante comercial dos Estados Unidos, Greer, afirmou que, apesar da perda de flexibilidade proporcionada pela IEEPA, o governo iniciará investigações sobre práticas comerciais desleais que poderão justificar a imposição de tarifas adicionais. Greer destacou que tem mantido contactos com homólogos de outros países, incluindo a União Europeia, e que nenhum parceiro comercial indicou a anulação de acordos existentes.
Johannes Fritz, economista e CEO do GTA, referiu que países como China, Brasil, México e Canadá, que foram alvo de críticas severas pela Casa Branca e de tarifas específicas sob ordens executivas, registam as maiores quedas tarifárias. Fabricantes asiáticos, como Vietname, Tailândia e Malásia, também beneficiarão do novo regime, especialmente em sectores como vestuário, mobiliário, brinquedos e plásticos.
O representante comercial norte-americano anunciou que serão iniciadas investigações sobre práticas comerciais desleais relacionadas com excesso de capacidade industrial, focando-se em países asiáticos. Estas investigações incluirão questões como subsídios ao arroz que afectam produtores norte-americanos.
Greer adiantou que as novas tarifas globais não afectarão a próxima reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping. O objectivo deste encontro bilateral é manter a estabilidade, assegurar o cumprimento do acordo comercial chinês, incluindo a compra de produtos agrícolas norte-americanos e jatos da Boeing, e o fornecimento de terras raras.
Fritz sublinhou que o futuro de todas as tarifas permanece incerto, com o governo norte-americano a sinalizar a intenção de aplicar medidas adicionais específicas por país através da Secção 301 da Lei de 1974. Os Estados Unidos já iniciaram investigações da Secção 301 contra Brasil e China.
Os principais aliados dos Estados Unidos serão particularmente afectados pelo novo regime tarifário, uma vez que as suas exportações são dominadas por aço, alumínio e automóveis, sectores cobertos por outras tarifas que permanecem em vigor após a decisão da Suprema Corte. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que todos os parceiros comerciais desejam manter os acordos negociados com Trump.
A Comissão Europeia exigiu “clareza total” de Washington, declarando que a situação actual não é propícia para um comércio e investimento transatlântico “justo, equilibrado e mutuamente benéfico”. A Comissão reiterou que, como maior parceiro comercial dos Estados Unidos, a União Europeia espera que os Estados Unidos honrem os seus compromissos.
O Reino Unido será o maior prejudicado com a nova tarifa global fixa, registando um aumento de 2,1 pontos percentuais na sua taxa tarifária média, após ter garantido anteriormente uma tarifa de 10% sobre muitos produtos.
Fonte: Folha de S.Paulo



