Luanda – Especialistas da consultora internacional PWC destacaram, esta terça-feira em Luanda, que as políticas públicas implementadas pelo Governo angolano e a evolução do mercado agrícola criaram, pela primeira vez, condições reais para desenvolver uma cadeia nacional de insumos no país.
Os peritos identificaram essas políticas e o crescimento do mercado agrícola como vetores impulsionadores do desenvolvimento da cadeia de produção de insumos em Angola.
Durante a 8ª Conferência E&M sobre agricultura, dedicada ao tema “Cadeia nacional de fertilizantes e insumos: caminhos para a autonomia produtiva”, o diretor da PWC Angola, Maurício Brito, afirmou que o Plano Nacional de Desenvolvimento, juntamente com outros programas, prioriza a produção agrícola.
Brito referiu que o Plano Nacional de Formação para a Produção de Grão (Planagrão), a isenção e redução de direitos aduaneiros, concursos públicos para aquisição de fertilizantes e outras iniciativas têm estimulado o investimento privado e atraído mais jovens para a atividade agrícola.
O especialista brasileiro em agronegócio, Fábio Pereira, apontou como desafios principais a intensificação do processo de industrialização local, inovação e investigação, dinamização da rede logística e de inteligência, atração de investimento privado e capacitação técnica para que Angola atinja a autossuficiência a médio prazo.
O diretor do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Agricultura e Florestas, Anderson Jerónimo, reiterou que o Executivo tem garantido progressivamente mais de 150 mil toneladas de fertilizantes das 800 mil necessárias.
Segundo o responsável, o país tem dado passos concretos para produzir quantidades para consumo interno, contando atualmente com oito fábricas misturadoras e duas indústrias de fertilizantes com matéria-prima nacional.
Jerónimo afirmou que Angola ganhará, nos próximos anos, pelo menos duas grandes fábricas de fertilizantes, que reduzirão significativamente o volume de importações e impulsionarão a produção interna.
O diretor da Nova Agro-Lider, José Macedo, defendeu a criação de uma associação integrada pelos principais agricultores empresariais para construir uma fábrica coletiva de produção de fertilizantes em Angola.
O representante do Fundo de Garantias de Crédito, Miguel dos Santos, assegurou que a instituição tem apoiado várias iniciativas ligadas a pequenos e médios produtores de fertilizantes no país.
O evento, promovido pela revista Economia e Mercado, teve como objetivo analisar e identificar mecanismos para aumentar a competitividade do setor agrícola, bem como dar oportunidade a jovens, empresas e regiões agrícolas.
Esta edição centrou-se na temática “Indústria nacional de fertilizantes e insumos agrícolas”, abordando a construção da cadeia produtiva, eficiência no uso de insumos, sustentabilidade dos solos e integração com a agroindústria.
A sessão incluiu também temas relacionados com biocombustíveis, o papel da agricultura na transição energética e diversificação económica, produção em larga escala a partir de culturas energéticas e criação de valor no meio rural.
Os debates abordaram igualmente concessões florestais e gestão sustentável de recursos naturais, com foco na conservação dos ecossistemas e desenvolvimento económico responsável.
Fonte: Angola Press



