O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva participou na Cimeira Impacto da Inteligência Artificial, realizada em Nova Deli, onde expressou preocupação sobre os efeitos da tecnologia nos processos democráticos. Durante o seu discurso, Lula afirmou que conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial podem distorcer eleições e ameaçar a estabilidade democrática.
O líder brasileiro defendeu a criação de uma governança global para a inteligência artificial que respeite as diferentes trajetórias nacionais e promova a democracia, a coesão social e a soberania dos países. Criticou ainda as grandes empresas tecnológicas, referindo que os dados gerados por cidadãos, empresas e organismos públicos estão a ser apropriados por poucos conglomerados sem contrapartidas adequadas.
Lula destacou que a regulamentação destas empresas está ligada à proteção dos direitos humanos no espaço digital, à promoção da integridade da informação e à defesa das indústrias criativas nacionais. Segundo o presidente, o modelo de negócios atual baseia-se na exploração de dados pessoais, na renúncia ao direito à privacidade e na monetização de conteúdos que amplificam a radicalização política.
O presidente brasileiro considerou que as sociedades se encontram numa encruzilhada, com o avanço da quarta revolução industrial e o recuo do multilateralismo. Neste contexto, afirmou que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico, podendo tanto aumentar a produtividade industrial como fomentar práticas nefastas.
No plano nacional, Lula informou que o Congresso Nacional brasileiro está a discutir uma política de atração de data centers, denominada Redata, e um marco regulatório para a inteligência artificial.
As declarações de Lula alinharam-se com as posições expressas por outros líderes presentes na cimeira. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, apresentou a iniciativa Manav Vision para a inteligência artificial, que defende uma abordagem ética baseada em princípios como moralidade, transparência e soberania nacional.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que o futuro da inteligência artificial não deve ser decidido por um punhado de países ou deixado ao critério de poucos bilionários.
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que a França proibirá o acesso a redes sociais para crianças com menos de 15 anos, medida que está a ser adoptada por outros países europeus como a Grécia e a Espanha, e agora pela Índia. Macron afirmou ainda que a França utilizará a sua presidência no G7 para reforçar o acesso dos países a ferramentas digitais.
A cimeira reuniu líderes internacionais para debater os impactos da inteligência artificial na sociedade contemporânea, com particular enfoque nos desafios democráticos e regulatórios.
Fonte: Valor Econômico



