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Rush regressa ao Brasil após 16 anos com nova formação: Anika Nilles substitui Neil Peart em turnê histórica

O regresso do Rush aos palcos brasileiros, marcado para janeiro de 2027, representa mais do que uma simples digressão – simboliza um momento de transição histórica para uma das bandas mais influentes do rock progressivo. Após 16 anos de ausência e sete anos desde a última atuação ao vivo, a banda canadense prepara-se para uma série de cinco concertos que passarão por Curitiba (22 de janeiro), São Paulo (24), Rio de Janeiro (30), Belo Horizonte (1 de fevereiro) e Brasília (4 de fevereiro), integrados na digressão “Fifty Something” que celebra mais de meio século de carreira.

Este regresso ocorre num contexto profundamente transformado para a banda. A última atuação do Rush aconteceu a 1 de agosto de 2015 em Los Angeles, marcando o fim de uma era com a formação clássica do trio. A morte de Neil Peart, a 7 de janeiro de 2020, devido a um cancro cerebral, deixou uma lacuna considerável – Peart era amplamente reconhecido como um dos maiores bateristas da história do rock, cuja técnica pirotécnica e composições complexas definiram o som da banda durante décadas.

A substituição de Peart recai sobre Anika Nilles, uma baterista alemã de 42 anos que traz um perfil distinto: com experiência na banda de Jeff Beck e quatro álbuns solo, Nilles representa uma geração mais nova (tem 30 anos menos que os restantes membros) e, significativamente, não era conhecedora da obra do Rush quando foi convidada. Esta circunstância, longe de ser um obstáculo, foi encarada pelos veteranos Geddy Lee e Alex Lifeson como uma vantagem – permitiu que Nilles abordasse o repertório sem ideias pré-concebidas, embora os músicos reconheçam que a assimilação das composições mais antigas (anteriores ao seu nascimento em 1983) apresentou desafios particulares.

A digressão “Fifty Something” inicia-se a 7 de junho de 2026 em Los Angeles, exactamente onde terminou a última, percorrendo a América do Norte até dezembro antes de chegar à América do Sul. Para os fãs brasileiros, este regresso tem um significado especial – o Rush apenas atuou no Brasil duas vezes anteriormente (2002 e 2010), tendo ficado marcado pela reação extraordinária do público que levou à gravação do aclamado “Rush in Rio” no Maracanã.

A nova formação em palco será um quarteto, com a adição do teclista veterano Loren Gold (com experiência em digressões com The Who e Chicago), que se junta a Lifeson, Lee e Nilles. Esta configuração permite maior flexibilidade no repertório, que promete variar significativamente entre concertos – os músicos preveem alterar 30% a 40% das 35 a 40 canções preparadas em cada noite, reconhecendo que já não têm condições para os maratonistas concertos de três horas do passado.

A digressão estender-se-á até ao segundo semestre de 2027 com datas na Europa e Ásia, embora Lifeson e Lee afirmem não ter planos imediatos para novas composições. Este período de ausência dos palcos foi marcado por projetos paralelos – Lifeson colaborou com Tom Morello, enquanto Lee se dedicou à escrita, incluindo o livro “The Big Beautiful Book of Bass”.

Os bilhetes entram em pré-venda a 25 de outubro para clientes Itaú, com venda geral a partir de 27 de outubro através da Eventim, numa produção da 30e que promete reacender a paixão que, segundo os próprios músicos, os brasileiros demonstraram de forma única nas visitas anteriores.

Fonte: Folha de S.Paulo

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