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Suprema Corte dos EUA derruba tarifas elevadas; Lula comenta relações comerciais e visita à Índia

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou expectativa de que as relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos retomem a normalidade, após a Suprema Corte norte-americana ter considerado ilegais as tarifas elevadas anteriormente impostas. A decisão judicial resultou na aplicação de uma taxa uniforme de 15% para todos os países, substituindo as anteriores que atingiam até 40% ou 50% para algumas nações.

Lula referiu que o Brasil optou por não negociar imediatamente após a imposição inicial das tarifas, uma abordagem que, segundo comentários na sua comitiva durante uma visita à Índia, foi considerada adequada. Questionado sobre se sentia alívio por não ter celebrado um acordo precipitado, o presidente brasileiro afirmou que sim, salientando a importância de evitar decisões apressadas.

O chefe de Estado brasileiro descreveu como atípica a forma como as tarifas foram inicialmente anunciadas, através do Twitter, e mencionou que a sua equipa enfrentou dificuldades iniciais no diálogo com os representantes norte-americanos. O contacto directo entre os dois presidentes terá facilitado subsequentes conversações.

Lula expressou a convicção de que as relações comerciais se normalizarão, argumentando que é do interesse dos Estados Unidos evitar medidas que possam provocar inflação e prejudicar os consumidores americanos. Sublinhou ainda que o Brasil não aspira a uma posição de liderança na América Latina, mas defende o respeito pela região como zona de paz.

O presidente brasileiro afirmou que pretende discutir com o seu homólogo norte-americano o papel dos Estados Unidos na América do Sul, questionando se será de cooperação ou de ameaça. Referiu também ter contactado vários líderes internacionais recentemente, defendendo a necessidade de respostas multilaterais a crises globais e rejeitando interferências unilaterais na soberania de outros países.

Na preparação para um encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula propôs um diálogo franco e aberto, sem temas proibidos. Entre os assuntos possíveis para discussão estão o combate ao narcotráfico e a cooperação em minerais críticos, desde que associada a processos de transformação industrial no Brasil.

Durante uma visita de quatro dias à Índia, Lula contrastou as negociações com países desenvolvidos, que descreveu como por vezes autoritárias, com as realizadas com a Índia, que considerou mais equilibradas. Desta visita resultaram vários acordos e anúncios de investimento.

Empresas indianas comprometeram-se com investimentos de pelo menos 10 mil milhões de reais nos próximos quatro a cinco anos, com potenciais projectos adicionais em análise. Cerca de 900 empresários dos dois países participaram num evento promovido pela ApexBrasil.

Foram assinados acordos de transferência de tecnologia para produção de medicamentos oncológicos e parcerias nas áreas de inteligência artificial e minerais críticos. Lula destacou a importância de estabelecer parcerias com países com características semelhantes para fortalecer a capacidade tecnológica e económica.

Entre os investimentos anunciados contam-se 5 mil milhões de reais do grupo Birla para uma unidade de reciclagem de alumínio em Pindamonhangaba, no estado de São Paulo. Empresas já presentes no Brasil, como Tata e Mahindra, indicaram planos de investimento adicional, enquanto o grupo Fomento anunciou 2,5 mil milhões de reais para um porto no Rio Grande do Norte. O grupo Adani informou que iniciará voos directos entre a Índia e o Brasil, com escala em Joanesburgo.

Do lado brasileiro, destacou-se um investimento de 500 milhões de dólares da Vale e Adani numa unidade de blendagem de minério de ferro, bem como dois acordos da Embraer para montagem de aeronaves militares e civis utilizando componentes fabricados na Índia.

Nas conversações com o Primeiro-Ministro indiano, Narendra Modi, Lula abordou a necessidade de cooperação internacional face aos desafios globais.

Fonte: Valor Econômico

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