Na noite de sexta-feira, 20 de fevereiro, manifestantes indígenas e de grupos sociais ocuparam o terminal portuário da Cargill em Santarém, no Pará, e realizaram protestos na sede da empresa em São Paulo. A ação tem como objetivo apoiar as comunidades da região do Tapajós, que se opõem ao plano do governo federal para implementar hidrovias nos rios amazónicos, visando o escoamento de produtos.
De acordo com uma nota enviada ao Valor Econômico, o terminal permanece ocupado, com relatos de indícios de vandalismo. Em contrapartida, os manifestantes afirmaram, numa carta aberta, que a ocupação não envolveu violência.
A mobilização teve início a 22 de janeiro, com o bloqueio do acesso de camiões ao terminal. Os protestos são dirigidos contra o Decreto 12.600/2025, que integra rios amazónicos num programa de concessões que pode ampliar as dragagens para navegação comercial.
Os líderes do movimento argumentam que estas intervenções representam uma ameaça para a pesca, a qualidade da água e os modos de vida locais, além de alegarem a falta de consulta prévia às comunidades afetadas.
A Justiça Federal, a pedido da Cargill, determinou a desocupação forçada do terminal. No entanto, os manifestantes mantiveram a ocupação durante a tarde de sábado.
A Cargill declarou não ter controlo sobre os projetos de dragagem, que são conduzidos no âmbito de políticas públicas de infraestrutura. Por sua vez, o governo federal defende que as intervenções são necessárias para garantir a navegabilidade dos rios durante períodos de seca.
Fonte: Valor Econômico



