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Turismo no Namibe em Estagnação: Falta de Transporte e Infraestruturas Comprometem Potencial

A província angolana do Namibe, detentora de um património natural excecional que inclui deserto, praias, rios e montanhas, enfrenta um desafio estrutural que limita severamente o desenvolvimento do seu sector turístico: a ausência de um sistema de transporte adequado para aceder aos seus diversos pontos de interesse. Esta problemática foi destacada durante uma formação para guias turísticos locais em Moçâmedes, no âmbito do Dia Mundial do Guia de Turismo, assinalado a 21 de Fevereiro.

A análise da situação revela que a carência de transporte não é um obstáculo isolado, mas sim um sintoma de desafios mais amplos. Marta Manuel, presidente da Associação dos Guias de Turismo e Intérpretes, sublinhou que, apesar de o turismo na região estar a ganhar dinamismo, a falta de meios de deslocação eficientes, combinada com o mau estado das vias de acesso e a escassa oferta de gastronomia local nos restaurantes, desilude muitos visitantes. Esta combinação de fatores impede uma exploração abrangente dos atractivos da província, restringindo as experiências turísticas e, consequentemente, o potencial económico do sector.

Do ponto de vista institucional, o director provincial da Cultura e Turismo, Aurélio Ngulawa, apelou à profissionalização dos guias, enfatizando a necessidade de uniformização e cadastro para evitar confusões entre os turistas. Paralelamente, a formação abordou temas cruciais para a segurança e qualidade do serviço, como primeiros socorros em actividades de campo, geo-referenciação e leitura de GPS, turismo e cultura na componente comercial, e o perfil do guia de turismo. A participação de técnicos de vários municípios (Tômbwa, Moçâmedes, Lucira, Saco-Mar e Virei) sugere um esforço de capacitação a nível regional, ainda que as infraestruturas físicas permaneçam um entrave.

Contextualizando, o Dia Internacional do Guia de Turismo, criado em 1990 pela Federação Mundial das Associações de Guias de Turismo, visa valorizar estes profissionais que desempenham um papel vital na interpretação do património e na promoção do turismo responsável. No caso do Namibe, a efeméride serviu para expor as lacunas que impedem os guias de cumprir plenamente a sua missão, destacando a desconexão entre o potencial natural da província e as condições logísticas para o explorar.

Em síntese, o turismo no Namibe encontra-se numa encruzilhada: enquanto as belezas naturais constituem um atractivo indiscutível, a falta de transporte e infraestruturas básicas compromete a experiência do visitante e limita o crescimento sustentável do sector. A resolução destes desafios requer não apenas investimento em vias e meios de transporte, mas também uma estratégia integrada que envolva a melhoria da oferta gastronómica e a contínua profissionalização dos agentes turísticos, aspectos essenciais para transformar o potencial em realidade económica.

Fonte: Angola Press

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