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Zimbabué Suspende Acordo de Saúde de 350 Milhões de Dólares com os EUA por Questões de Soberania

O Presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, ordenou a suspensão das negociações para um acordo de financiamento de 350 milhões de dólares na área da saúde com os Estados Unidos da América. A decisão foi comunicada pelo secretário para os Negócios Estrangeiros e Comércio Internacional, Albert Chimbindi, numa carta datada de 23 de Dezembro de 2025, dirigida aos secretários das Finanças e da Saúde.

Na carta, Chimbindi referiu que o memorando de entendimento foi considerado “claramente desequilibrado” e que “compromete e mina, de forma flagrante, a soberania e a independência do Zimbabué”. O acordo estava a ser promovido pelos Estados Unidos no âmbito da sua estratégia America First Global Health Strategy (AFGHS).

As autoridades zimbabueanas consideraram inaceitáveis várias condições do acordo, incluindo o acesso directo dos EUA aos dados de saúde do país durante um período acordado, interpretado como ingerência informativa. Washington pressionou também para obter acesso aos recursos minerais estratégicos do Zimbabué no âmbito do mesmo entendimento.

O Governo do Zimbabué argumentou ainda que a assinatura de um acordo bilateral na área da saúde com os Estados Unidos seria incompatível com o seu compromisso com o multilateralismo, especialmente considerando a retirada dos EUA da Organização Mundial da Saúde durante a administração de Donald Trump. A entrada num quadro bilateral paralelo equivaleria, segundo o Executivo, a legitimar a saída dos Estados Unidos da ordem global da saúde.

Apesar da rejeição do Zimbabué, a estratégia diplomática norte-americana na área da saúde tem ganho terreno noutras partes do continente africano, com pelo menos 14 países a terem assinado acordos semelhantes no âmbito da AFGHS.

Esta decisão surge num contexto de redução do financiamento humanitário dos EUA ao Zimbabué. Documentos internos do Departamento de Estado indicam que os Estados Unidos vão terminar todo o financiamento humanitário actualmente concedido a sete países africanos, incluindo o Zimbabué, como parte de uma “saída responsável”.

Uma mensagem de 12 de Fevereiro dirigida a responsáveis do Bureau de Assuntos Africanos do Departamento de Estado indicava que os projectos no Burkina Faso, Camarões, Maláui, Mali, Níger, Somália e Zimbabué estavam a ser cancelados por “não existir uma forte ligação entre a resposta humanitária e os interesses nacionais dos EUA”.

Os programas de ajuda nestes países, anteriormente previstos para renovação até ao final de Setembro, deixarão de ser prorrogados, apesar de terem sido classificados como vitais pela administração Trump.

Fonte: Diarioeconomico Co Mz

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