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FMI Identifica Riscos Económicos com Encerramento da Fundição Mozal em Moçambique

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a suspensão das operações da fundição de alumínio Mozal, localizada na província de Maputo, representa um risco significativo para a economia moçambicana. A decisão de encerramento, prevista para Março, foi tomada após a empresa australiana South32, principal accionista da Mozal, não conseguir assegurar um novo acordo de fornecimento eléctrico a preços competitivos.

Num relatório de avaliação aprovado em 13 de Fevereiro, no âmbito das consultas regulares, o FMI descreveu que “os riscos para as perspectivas económicas de Moçambique são actualmente fortemente negativos”, destacando que a Mozal contribui com aproximadamente 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O documento enumera ainda outros riscos externos, como pandemias, desastres naturais, conflitos regionais, reduções da ajuda externa e volatilidade dos preços das matérias-primas. Entre os riscos internos, incluem-se o aumento da insegurança em Cabo Delgado, que pode atrasar projectos de gás natural liquefeito (GNL), a escassez de divisas e o fraco desempenho do sector não relacionado com a mineração.

O relatório do FMI menciona que as negociações em curso sobre as tarifas de electricidade com a Mozal representam riscos adicionais, enquanto os riscos positivos incluem a produção antecipada de GNL no projecto Coral Norte da Eni. A organização alerta ainda que as vulnerabilidades fiscais podem intensificar-se devido a pressões sobre as despesas e aos prejuízos das empresas estatais.

A Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS) classificou a suspensão da fundição como um evento de grande impacto, devido à sua contribuição para a economia nacional e aos despedimentos associados. Damião Simango, secretário-geral da OTM-CS, afirmou que a concretização do encerramento teria consequências significativas, dado que a Mozal é uma das maiores indústrias do país, impulsionando as exportações e gerando milhares de empregos directos e indirectos.

A Mozal comunicou recentemente que avançará com despedimentos colectivos a partir de 15 de Março, no âmbito do regime de suspensão operacional. Num documento enviado ao Comité Sindical da Mozal, a empresa propõe uma indemnização de 6% do salário anual por cada ano de serviço para funcionários com salários acima de sete salários mínimos do sector, e 40 dias de salário por cada ano de serviço para os restantes.

A fundição adquire quase metade da energia produzida em Moçambique, maioritariamente proveniente da Hidroeléctrica de Cahora Bassa. A South32 confirmou que, apesar dos esforços do Governo moçambicano, procederá à suspensão das actividades devido à impossibilidade de garantir um fornecimento de energia eléctrica suficiente e acessível. Graham Kerr, director-executivo da South32, explicou que a empresa registou uma baixa de 372 milhões de dólares no ano passado, atribuída à incapacidade de assegurar energia a preços acessíveis, agravada pelo impacto da seca na produção hidroeléctrica. Kerr acrescentou que não foi possível chegar a um acordo com preços razoáveis com a fornecedora de energia de reserva, a sul-africana Eskom.

Segundo o director-executivo, a Mozal emprega mais de duas mil pessoas directamente e outras duas mil através de terceirização, sendo responsável por um terço dos empregos no sector manufactureiro de Moçambique. Kerr indicou que os custos de manutenção, incluindo a rescisão de contratos, rondam os 60 milhões de dólares, com custos anuais contínuos de manutenção e conservação estimados em cerca de 5 milhões de dólares.

O Governo moçambicano declarou estar a desenvolver esforços para evitar o encerramento da fundição. Estêvão Pale, ministro dos Recursos Minerais e Energia, afirmou, à margem de uma conferência sobre mineração e energia na Cidade do Cabo, que estão a ser tomadas todas as medidas necessárias para manter a Mozal em funcionamento, sem detalhar o estado actual das negociações com a empresa ou com os fornecedores de energia.

A intervenção do ministro ocorreu após a South32 ter anunciado, em Dezembro de 2025, a colocação da fundição em regime de manutenção e conservação a partir de 15 de Março de 2026, caso não fosse assegurado um novo contrato de fornecimento de energia.

Fonte: Diarioeconomico Co Mz

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