O Fundo Monetário Internacional (FMI) não prevê, no momento, qualquer decisão sobre um novo programa de apoio financeiro a Moçambique, enquanto o crédito pendente do país junto da instituição atinge 226% da sua quota, conforme a avaliação mais recente.
No relatório aprovado a 13 de fevereiro, referente às consultas realizadas em 2025, o FMI indica que está prevista uma avaliação pós-financiamento para agosto de 2026, limitando-se a referir que novas consultas deverão ocorrer dentro de 12 meses, sem detalhes sobre a eventual aprovação de um novo programa, intenção manifestada pelas autoridades moçambicanas.
No âmbito da última Facilidade de Crédito Alargado (ECF), o FMI aprovou, em 2022, um financiamento de 468 milhões de dólares para Moçambique. O programa foi suspenso em abril de 2025, após o desembolso de 343 milhões de dólares, distribuídos por quatro tranches.
O relatório detalha o calendário de reembolsos previsto. Em 2026, Moçambique deverá pagar 98 milhões de dólares ao organismo. Em 2027, o montante ascende a 107,5 milhões de dólares, seguindo-se 129,3 milhões em 2028 e 136,4 milhões em 2029, o que mantém pressão sobre as contas externas e as necessidades de financiamento do Estado.
Apesar da incerteza quanto a novo apoio financeiro, o FMI sublinha que Moçambique continua a ser um dos principais beneficiários da assistência técnica e do desenvolvimento de capacidades da instituição. O apoio tem incidido em áreas como a governação, a gestão das finanças públicas, a mobilização de receitas, a administração da riqueza proveniente dos recursos naturais, o reforço dos quadros monetários e macroprudenciais e a melhoria das estatísticas económicas.
Segundo o relatório, esta assistência responde às solicitações das autoridades e está alinhada com as prioridades de reforma do Governo. A instituição reconhece que, apesar de desafios administrativos e limitações no planeamento estratégico, foram registados progressos nas reformas estruturais.
A expectativa de um novo programa foi reiterada pelo Presidente da República, Daniel Chapo, que, em junho de 2025, manifestou a intenção de assinar ainda nesse ano um novo acordo com o FMI, alinhado com a visão do Executivo e com reformas no sector público.
O director-geral adjunto do FMI, Bo Li, declarou, em maio de 2025, em Maputo, que a instituição pretendia avançar com um novo programa para apoiar a estabilidade macroeconómica e financeira do país, indicando que as equipas técnicas iniciariam discussões nas semanas seguintes.
Contudo, à luz da avaliação atual, a instituição limita-se a registar a exposição acumulada de Moçambique, equivalente a 226% da quota, e a enquadrar o processo numa futura avaliação pós-financiamento, sem confirmar, nesta fase, qualquer novo compromisso financeiro.
Fonte: Diarioeconomico Co Mz



