A redução da duração das aulas de 45 para 40 minutos em várias escolas moçambicanas tem gerado controvérsia entre pais e especialistas em educação. A medida foi implementada no âmbito da introdução de três turnos em alguns estabelecimentos de ensino, destinados a acolher estudantes menores de 18 anos que anteriormente frequentavam aulas noturnas.
O Ministro da Educação e Cultura de Moçambique, Samaria Tovela, defendeu a decisão, afirmando que a qualidade do ensino é mais importante do que a duração das aulas. “Podemos ter uma aula de 30 minutos. A questão é a qualidade da aula, não o tempo que a criança passa na escola”, declarou o ministro, acrescentando que o foco está no investimento na gestão educacional.
Especialistas expressaram preocupações sobre os possíveis impactos da medida. O académico Severino Ngoenha alertou que, se a educação continuar a deteriorar-se, “Moçambique não terá futuro”. A psicóloga Elizabeth Gomes considerou que 40 minutos podem ser suficientes para cobrir o currículo, mas destacou riscos relacionados com a sobrecarga dos estudantes e a falta de tempo para reflexão e discussão em sala de aula.
Pais também manifestaram desacordo com a redução do tempo lectivo. Paulo Anselmo argumentou que a medida afecta negativamente a compreensão dos alunos, enquanto Fátima Chivambo sugeriu a realização de estudos em grupo fora do horário escolar. Cláudia Ubisse mencionou a possibilidade de procurar escolas alternativas ou aulas extras para ocupar o tempo livre dos estudantes.
Em escolas primárias, alguns pais têm criticado o facto de as crianças passarem apenas quatro horas na escola, em contraste com as oito horas recomendadas. A medida insere-se num contexto mais amplo de reformas no sistema educativo moçambicano, que incluiu o regresso da Educação Moral, Cívica e Patriótica ao currículo nacional.
Fonte: Clubofmozambique Com



